
Manaus/AM – A devastação causada pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela nos últimos dias trouxe à tona uma discussão que ultrapassa as fronteiras da tragédia humanitária. Enquanto equipes de resgate seguem trabalhando entre os escombros em busca de sobreviventes, setores da sociedade amazonense questionam a ausência de um posicionamento oficial do Governo do Amazonas sobre possíveis ações de apoio ao país vizinho.
Os abalos sísmicos atingiram diversas regiões venezuelanas, com impactos mais severos em áreas próximas a Caracas e ao estado de La Guaira. De acordo com informações preliminares divulgadas pelas autoridades locais, o desastre deixou aproximadamente 164 mortos e cerca de mil feridos. Os números, no entanto, continuam sendo atualizados à medida que as operações de busca avançam.
Até o momento, o governo estadual não anunciou o envio de ajuda humanitária, assistência logística ou qualquer medida de cooperação destinada às regiões afetadas.
Memória de uma ajuda que salvou vidas
A discussão ganhou força porque a Venezuela desempenhou papel importante em um dos momentos mais críticos da história recente do Amazonas.
Em janeiro de 2021, durante o colapso do sistema de saúde provocado pela pandemia da Covid-19, Manaus enfrentou uma grave falta de oxigênio medicinal. Hospitais registravam pacientes em situação crítica e familiares buscavam cilindros por conta própria diante da escassez do insumo.
Naquele cenário de emergência, a Venezuela enviou ao Amazonas cerca de 130 mil litros de oxigênio hospitalar produzidos na cidade de Puerto Ordaz. O auxílio foi considerado fundamental para reduzir os efeitos da crise sanitária enquanto o estado buscava alternativas para recompor os estoques.
Além do fornecimento de oxigênio, o governo venezuelano também colocou profissionais de saúde à disposição para colaborar com o enfrentamento da emergência.
O episódio ficou marcado como uma das mais relevantes demonstrações de cooperação internacional recebidas pelo Amazonas durante a pandemia.
Pedido por reciprocidade
Com a Venezuela agora enfrentando uma crise humanitária provocada pelos terremotos, representantes da comunidade venezuelana, lideranças sociais e moradores da região defendem que o Amazonas adote uma postura de solidariedade institucional.
Para esses grupos, mais do que uma questão diplomática, um eventual gesto de apoio representaria o reconhecimento de uma parceria construída em momentos de dificuldade enfrentados pelos dois povos.
A expectativa é que, nos próximos dias, autoridades estaduais se manifestem sobre a possibilidade de alguma forma de cooperação, seja por meio de ajuda humanitária, apoio logístico ou articulação junto ao governo federal.
Enquanto isso, o desastre continua mobilizando esforços internacionais e renovando o debate sobre a importância da solidariedade entre nações que compartilham fronteiras, desafios e históricos de cooperação.
Com informações do Portal Planeta 92
