
Redação – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda em Assunção, no Paraguai, nesta terça-feira (30), para a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul. O encontro de cúpula busca destravar acordos de facilitação de comércio, segurança regional e, principalmente, medidas de desburocracia digital entre os países vizinhos.
O peso econômico do bloco justifica a atenção: o Mercosul hoje abrange quase dois terços da população da América do Sul e cerca de 70% do PIB da região. Para o bolso do exportador brasileiro, o mercado vizinho é estratégico: em 2025, o Brasil vendeu cerca de US$ 26 bilhões para os parceiros do grupo, o que representa 7,5% de tudo o que o país exportou no ano. Além disso, o comércio do bloco com o resto do mundo deu sinais de aquecimento, registrando uma alta de 8% no primeiro quadrimestre de 2026.
O que muda para o cidadão? Identidade e burocracia digital
Para além dos discursos diplomáticos, a reunião deve selar duas mudanças práticas importantes na rotina de quem viaja ou faz negócios na região:
- Uso da nova identidade (CIN): Será assinado o acordo que valida a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento oficial de entrada em todos os países do bloco e Estados associados.
- Integração do Gov.br: Um novo protocolo vai permitir que os sistemas de autenticação digital (como o padrão brasileiro Gov.br) conversem com as plataformas dos vizinhos, facilitando trâmites e reconhecimento de assinaturas eletrônicas.
Segurança e Infraestrutura na Pauta
No campo social e de segurança, a delegação brasileira leva à mesa uma proposta de aliança regional focada no combate ao feminicídio, tentando unificar ações que conversem com a atual Estratégia do Mercosul contra o Crime Organizado Transnacional.
Financeiramente, o Brasil também deve formalizar um aumento em seus aportes ao Focem (Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul). Esse fundo é o mecanismo do bloco utilizado para financiar obras de infraestrutura, saneamento e habitação nas regiões mais vulneráveis, visando equilibrar as assimetrias econômicas entre as nações parceiras.
Radiografia do Bloco
O desenho geopolítico atual do encontro envolve dois níveis de participação:
| Status no Bloco | Países |
| Membros Efetivos | Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia (em adesão) e Venezuela (atualmente suspensa). |
| Estados Associados | Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname. |
Fonte: Agência Brasil
