
Redação – O mês de julho reserva um cenário de alerta para o Amazonas. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o estado enfrentará um período com volumes de chuva abaixo do esperado e temperaturas que devem superar a média histórica em pelo menos 1°C. O principal motor dessa mudança é a consolidação do fenômeno El Niño, que mexe com o clima global e promete esticar o período de estiagem na região.
Na prática, a combinação de sol forte e escassez de água reduz a umidade do solo, um prato cheio para problemas na agricultura local, no abastecimento e, principalmente, no aumento do risco de queimadas.
Por que o Calor e a Seca Vão Apertar?
O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico sofrem um aquecimento anormal. Isso muda a circulação dos ventos e bloqueia a formação de nuvens de chuva sobre a Amazônia.
De acordo com meteorologistas do CPTEC/Inpe, menos umidade no ar significa menos nuvens. Sem essa “barreira” natural, a radiação solar atinge o solo com mais intensidade, elevando as temperaturas rapidamente. É um ciclo que se autoalimenta: a terra perde água mais rápido, a vegetação seca e o ambiente fica vulnerável. O clima não cria o fogo sozinho, mas funciona como um combustível que espalha qualquer faísca em velocidade recorde.
O Que Esperar para os Próximos Meses?
O cenário exige atenção de longo prazo, pois as projeções indicam que o El Niño veio para ficar por um bom tempo.
- Duração: Modelos climáticos apontam mais de 90% de chance de o fenômeno persistir pelo menos até o início de 2027.
- Pico de Intensidade: Há previsão de um El Niño de forte intensidade entre a primavera e o verão de 2026, com águas do Pacífico chegando a ficar 2°C acima do normal.
- Tendência: O trimestre de julho a setembro deve manter o padrão de estiagem severa no centro-norte do país, elevando o risco de ondas de calor na Amazônia durante todo o segundo semestre.
O Fantasma do Passado Recente
O alerta atual ganha peso quando olhamos para o histórico da região. Em 2024, o Amazonas viveu uma das suas piores crises climáticas. Naquele ano, o estado registrou mais de 21 mil focos de calor, cobrindo os 62 municípios com fumaça e levando todas as cidades a decretarem situação de emergência. A seca severa afetou diretamente a vida de mais de 460 mil pessoas na época.
Diante das previsões para 2026 e 2027, o cenário serve como um aviso prévio para que os setores produtivos e órgãos de Defesa Civil se preparem para mitigar os impactos sociais e ambientais que o calor excessivo costuma trazer.
Fonte: G1 Amazonas
