
Redação – Com a ameaça de uma nova estiagem severa na Amazônia potencializada pelo fenômeno El Niño, a Prefeitura de Manaus traçou um plano que une assistência social imediata e tecnologia ambiental. A principal aposta para conter o avanço da insegurança alimentar nas periferias é o programa “Jaraqui da Gente”, que aproveita o período de superprodução pesqueira para estocar e distribuir o alimento antes que o nível dos rios baixe e escasseie o pescado.
De acordo com a gestão municipal, o foco é antecipar o problema. A compra centralizada de toda a produção excedente durante a chamada “força da lua” (pico da safra) serve como um amortecedor social para as famílias em situação de vulnerabilidade biológica e econômica.
Integração federal e cautela institucional
Diferente de crises anteriores, o município busca alinhar as ações diretamente com o governo federal por meio de um comitê de monitoramento climático. Embora os indicadores acendam o alerta, a administração municipal descarta, por ora, a decretação preventiva de estado de emergência ou calamidade pública, optando por uma abordagem gradual e de observação técnica.

A base legal que sustenta essas operações é o recém-aprovado Plano de Ação Climática, chancelado pela Câmara Municipal de Manaus. O projeto integra cerca de 20 secretarias em três frentes de atuação:
- Curto prazo: Distribuição de alimentos e água potável.
- Médio prazo: Combate e prevenção a incêndios urbanos e florestais.
- Longo prazo: Políticas de arborização e mitigação de ilhas de calor.
Tecnologia contra as queimadas e logística na zona rural
O monitoramento ambiental ganhou o reforço de drones de alta precisão operados pela Semmas (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudança do Clima) em parceria com o Centro de Cooperação da Cidade (CCC). Os equipamentos utilizam sensores térmicos e tecnologia laser para identificar focos de calor nascentes antes que se transformem em grandes incêndios, além de mapear ocupações irregulares em áreas de risco.

O principal desafio logístico, no entanto, está na zona rural e nas comunidades ribeirinhas isoladas. Relembrando o histórico crítico da seca de 2023, a prefeitura estruturou um plano de contingência focado em duas frentes:
Água e Acesso: Montagem de estoques estratégicos de água potável e a aquisição de veículos adaptados, como quadriciclos, para vencer o isolamento terrestre caso os leitos dos rios e igarapés se tornem completamente inviáveis para a navegação.
O município tenta repetir o desempenho de 2025, ano em que Manaus registrou um dos menores índices de focos de incêndio entre as capitais brasileiras, apostando na prevenção ativa antes que o ápice do verão amazônico consolide o cenário de seca.
Fonte: Prefeitura de Manaus
