
Redação – Um tornado de rara intensidade atravessou a cidade de Huanggang, na província de Hubei, no centro da China, na noite de segunda-feira (6), deixando um rastro de destruição em meio a uma sequência de eventos climáticos extremos que atingem o país. O fenômeno, classificado como EF2 pela Administração Meteorológica da China, provocou a morte de pelo menos 11 pessoas, deixou 331 feridos e danificou milhares de imóveis, segundo informações divulgadas pelas autoridades chinesas e pela agência estatal Xinhua.
O tornado se formou durante um forte sistema de tempestades que atingiu diversas cidades da província entre 19h e 23h. Além de Huanggang, os municípios de Huangshi, Ezhou e Xianning registraram ventos intensos, chuvas torrenciais e granizo. Em algumas localidades, as rajadas chegaram ao equivalente ao nível 13 na escala chinesa de intensidade dos ventos, com velocidade suficiente para arrancar telhados, derrubar árvores e destruir estruturas metálicas.
Vídeos gravados por moradores mostram o momento em que o funil do tornado atravessa áreas urbanas, lançando destroços a dezenas de metros de altura. Em uma das gravações, portas de vidro são destruídas pela força do vento enquanto pessoas correm para buscar abrigo. Em outra, caminhões aparecem tombados e galpões logísticos completamente devastados.
As equipes de resgate permanecem mobilizadas para remover escombros, restabelecer o fornecimento de energia elétrica e prestar assistência às famílias atingidas. De acordo com o balanço preliminar das autoridades locais, 22 edificações desabaram completamente e outras 4.855 sofreram danos de diferentes proporções. Cerca de 14,6 mil moradores foram diretamente afetados pelo desastre.
Entre os casos mais impressionantes registrados durante a passagem do tornado está o de um homem de 30 anos que foi arremessado para fora do apartamento onde morava, localizado no 12º andar de um edifício residencial. Apesar da violência do impacto, ele sobreviveu e permanece internado em estado grave.
Especialistas afirmam que tornados dessa intensidade são incomuns na província de Hubei. Embora o fenômeno possa ocorrer na China, ele é relativamente raro quando comparado às regiões conhecidas como “corredores de tornados”, como o centro dos Estados Unidos. Meteorologistas explicam que a combinação de altas temperaturas, elevada umidade e forte instabilidade atmosférica favoreceu a formação do sistema.
O tornado ocorre em um momento particularmente delicado para a China. Enquanto Hubei enfrentava ventos extremos, o sul do país registrava enchentes provocadas pelas chuvas associadas ao tufão Maysak. Milhares de pessoas precisaram deixar suas casas em Guangxi, onde rios transbordaram, bairros ficaram submersos e equipes de emergência realizaram operações de resgate. Ao mesmo tempo, as autoridades acompanham a aproximação do supertufão Bavi, que pode atingir a costa leste chinesa nos próximos dias com ventos superiores a 280 km/h.
O Centro Nacional do Clima da China alertou que o mês de julho deverá registrar um número de tufões acima da média histórica. Segundo os meteorologistas, até seis ciclones tropicais podem se formar na região do Pacífico Noroeste e do Mar do Sul da China, dos quais até três têm potencial para atingir o território continental. Cientistas também destacam que o aquecimento dos oceanos e da atmosfera aumenta a probabilidade de tempestades mais intensas e de eventos meteorológicos extremos, embora não seja possível atribuir um único desastre exclusivamente às mudanças climáticas.
Diante do cenário, o governo chinês intensificou as operações de emergência e orientou a população a acompanhar os alertas meteorológicos, evitar deslocamentos durante tempestades severas e seguir as recomendações das autoridades locais. As equipes de resgate continuam trabalhando nas áreas mais afetadas enquanto os prejuízos materiais ainda são contabilizados.
