
Redação – O coração de Manaus voltará a pulsar com força total entre os dias 4 e 13 de setembro. Em uma guinada estratégica anunciada nesta segunda-feira (24/8) pelo prefeito Renato Junior, a edição de 2026 do ‘#SouManaus Passo a Paço’ foi completamente redesenhada: o evento saltou de quatro para dez dias de programação, abriu espaço massivo para a cena artística amazonense e conseguiu uma redução drástica de R$ 10 milhões no uso de verbas públicas.
Diferente dos moldes anteriores — em que o orçamento municipal arcava integralmente com as estruturas e convites —, a gestão optou por uma engenharia financeira baseada na captação de patrocínios privados. Com isso, dos R$ 25 milhões inicialmente previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA), apenas R$ 15 milhões serão aplicados pela Prefeitura de Manaus na infraestrutura básica.
A economia obtida não ficará nos cofres públicos: ela será totalmente revertida para a assistência humanitária às famílias prejudicadas pela severa estiagem que atinge a região.
Cachê zero para atrações nacionais com dinheiro do povo
Uma das imposições mais rígidas feitas pelo prefeito Renato Junior à sua equipe de secretários foi a proibição do uso de recursos da prefeitura para pagar o cachê dos grandes nomes da música nacional que passarão pelos palcos do festival.
“Foi uma regra que eu impus: nem um centavo de recurso do município seria pago para cachê de artistas nacionais. Fomos atrás dos patrocinadores, eles vieram e assumiram essa conta”, enfatizou o prefeito.
Essa blindagem do erário permitiu direcionar o foco para o que a população local vinha exigindo: protagonismo para a cultura da terra. A maior fatia das mais de 150 atrações confirmadas é formada por talentos amazonenses. Mais de 3 mil trabalhadores da cultura estão diretamente envolvidos na engrenagem do festival, movimentando uma cadeia econômica vital para a capital.
De 4 para 10 dias: Ocupação cultural e circuito expandido
Sob a direção de Márcio Braz, à frente da ManausCult, a expansão temporal de quatro para dez dias permitiu que o evento ultrapassasse os limites dos palcos tradicionais e se espalhasse por equipamentos culturais do centro histórico.
A programação vai incorporar espaços como a Biblioteca Municipal João Paulo II, o Teatro Gebes Medeiros, o Museu da Cidade de Manaus (Muma) e o Centro Cultural Óscar Ramos, integrando teatro, dança, exposições visuais e manifestações indígenas.
O conceito conceitual que guia o festival em 2026 é o tripé “Origens, Águas e Manaus”:
- Origens: Resgata as matrizes indígenas e as identidades ancestrais que estruturaram a sociedade manauara.
- Águas: Celebra a imponência dos rios, as embarcações e o imaginário amazônico das chegadas e partidas.
- Manaus: Traduz a miscigenação, as cores, as realidades plurais e a vida urbana da metropolização na floresta.
Peso pesado na música: Nacionais e locais dividem os holofotes
O line-up deste ano traz uma mistura eclética que transita do gospel ao piseiro, do rock ao rap e ao axé. Entre as atrações nacionais confirmadas estão Kysha e Mine em Lance de Escola, Padre João Carlos, Israel Salazar, Aline Barros, Dennis DJ, IZA, Filipe Ret, Léo Santana, Filho do Piseiro, Duquesa, Dead Fish, Gloria Groove, Ferrugem, Gustavo Mioto, Yago Oproprio, MC Hariel, Natanzinho Lima e Ana Castela.
Em pé de igualdade e com espaço de destaque, a prata da casa brilha com apresentações de Forró Revoada, Tucumanus, Victor Xamã, Rafa Militão, Ases do Pagode, Gabriel Gonçalves, Marcelo Nakamura, Rebecca Grana, Natália Lima, Jehnny Moda, Doral, Impakto, 40 Graus de Amor, Essence, Jorjão, O Tronxo, Neto Barroncas, Rayssa Zombie, Lucilene Castro e Cabocrioulo, além de coletâneas teatrais e performances de artistas independentes.

Solidariedade e Acesso: Cultura em troca de alimento
Manter o festival democrático e acessível continuou sendo uma premissa. O acesso aos espaços de shows ocorrerá por meio de pulseiras, cujos primeiros lotes começam a ser distribuídos nesta segunda-feira.
Para garantir a entrada, cada pulseira será trocada por 1 quilo de alimento não perecível. Todo o montante arrecadado será direcionado diretamente para a operação de apoio às comunidades afetadas pela seca na região, unindo entretenimento e justiça social.
A organização também garantiu infraestrutura inclusiva em todos os locais de apresentação, contando com amplos pontos de hidratação para combater o calor amazônico.
Logística e Impacto Econômico
Para absorver o fluxo estimado em mais de 500 mil pessoas ao longo dos dez dias, a Prefeitura montou um esquema especial de mobilidade urbana. Cerca de 150 agentes de trânsito atuarão no ordenamento viário e nas interdições programadas na área central, que começam a valer de forma preventiva já no dia 3 de setembro, um dia antes da abertura oficial.
O ‘#SouManaus Passo a Paço 2026’ se consolida, assim, como uma equação equilibrada entre fomento turístico, responsabilidade fiscal, valorização da identidade amazônica e amparo social em tempos de crise climática.

Fonte: Prefeitura de Manaus

