
Redação – Durante participação no podcast “As Jornalistas” nesta sexta-feira (11/9), o médico e candidato a deputado estadual pelo Republicanos, Rafael Benoliel, apresentou uma análise crítica sobre os rumos da saúde pública no Amazonas. Com uma trajetória de 25 anos dedicada ao Sistema Único de Saúde (SUS), Benoliel discutiu os fatores que, segundo sua avaliação, vêm provocando a degradação gradual dos serviços estaduais ao longo da última década.
O programa, conduzido pelas jornalistas Arthemisa Gadelha, Karla Costa e Liliane Araújo, abriu espaço para debater os gargalos administrativos, a evasão de profissionais e o impacto de pendências financeiras na rede pública.
Degradação institucional e os reflexos na assistência
Para Benoliel, o declínio da qualidade no atendimento à população não é um fenômeno recente, mas o resultado de sucessivas gestões que se estendem por pelo menos doze anos, tendo início no governo de José Melo e desdobramentos nas administrações seguintes.
Um marco estrutural apontado pelo médico ocorreu em abril de 2014, com a criação do Fundo Estadual de Saúde. Na visão do candidato, a alteração institucional modificou a dinâmica de cooperação entre o poder público e as empresas médicas parceiras, abrindo espaço para instabilidades contratuais e atrasos recorrentes nos repasses.
Como reflexo dessa instabilidade administrativa, Benoliel destacou a desvalorização progressiva dos profissionais da área. Segundo ele, as incertezas financeiras e a precarização das condições de trabalho resultaram na desmobilização de equipes e na migração de profissionais para outras alternativas de atuação, estrangulando a capacidade de resposta do sistema aos cidadãos que dependem da rede pública.
Passivo financeiro e a relação com os prestadores
O debate também aprofundou a situação financeira da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). O médico detalhou um passivo superior a R$ 20 milhões acumulado junto à sua empresa prestadora de serviços, englobando obrigações referentes aos exercícios de 2024, 2025 e 2026.
De acordo com o levantamento apresentado, os débitos de 2024 e 2025 totalizam aproximadamente R$ 19,1 milhões, divididos em R$ 10,5 milhões para o primeiro ano e R$ 8,6 milhões para o segundo. No que tange ao montante de 2024, Benoliel explicou que houve um acordo formalizado de parcelamento em sete vezes, do qual apenas três parcelas terão sido honradas, restando quatro em aberto.
Já para o ano de 2026, o candidato relatou que há valores pendentes desde junho. Embora tenha havido sinalização por parte da gestão de que os pagamentos seriam normalizados ao longo da semana, o compromisso não foi cumprido, elevando o montante total devido para além da faixa dos R$ 20 milhões. O médico fez questão de ressalvar que os recursos não configuram proventos individuais, mas sim a verba destinada à remuneração dos profissionais que efetivamente executam os atendimentos.
Continuidade administrativa e o diálogo com a categoria
Questionado sobre a atribuição de responsabilidades a gestões anteriores, Benoliel defendeu o princípio da continuidade administrativa do Estado. Para ele, a alternância de poder não exime a gestão vigente de honrar compromissos financeiros assumidos pelo Executivo, sugerindo que caminhos de renegociação poderiam ter sido adotados caso houvesse abertura para o diálogo com o setor.
O candidato também ponderou sobre os canais de interlocução entre o governo e a classe médica. Segundo ele, episódios de alinhamento institucional divulgados recentemente — como reuniões com representantes do executivo — teriam ocorrido com diretores administrativos e gestores de organizações sociais, e não diretamente com os profissionais que atuam na ponta do atendimento.
O panorama da saúde pública no Amazonas e as discussões sobre a gestão orçamentária do setor continuam no centro do debate político regional, com desdobramentos acompanhados por especialistas e trabalhadores da área. O episódio completo do podcast “As Jornalistas” está disponível nas plataformas digitais dos portais Planeta 92 e Amazonas Factual.
Fonte: Blog da Gadelha

