
Redação – O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou nesta semana seu cadastro nacional de empregadores autuados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. No Amazonas, os números registraram um crescimento expressivo: o total de pessoas identificadas passou de cinco, na edição de abril de 2026, para 64 na publicação de outubro.
A alta decorre da conclusão de processos administrativos que transitaram em julgado — fase em que não cabem mais recursos na esfera administrativa. Ao todo, a atualização traz sete novas autuações envolvendo seis empregadores em diferentes regiões do Estado.
O peso do garimpo em Maués
O principal fator para a ampliação dos números está concentrado no município de Maués, que reúne 54 dos 64 casos listados no Estado.
O destaque vai para duas autuações aplicadas a Gerson Vieira da Silva, referentes a fiscalizações realizadas em 2024 e 2025 no Garimpo Filão dos Abacaxis, situado na Floresta Nacional de Urupadi.
- Na primeira operação, foram identificados 50 trabalhadores em situação irregular.
- Na segunda, outros quatro.
As decisões administrativas que oficializaram as autuações foram emitidas em 25 de junho de 2026. Documentos do Ministério Público Federal (MPF) também acompanham a região do Rio Abacaxis, investigando tanto a exploração garimpeira ilegal quanto os impactos ambientais e sociais associados à atividade na área.

Outros setores e municípios monitorados
Além do garimpo em Maués, a listagem de outubro abrange quatro novos empregadores com atuação em Manaus, Presidente Figueiredo e Tapauá, englobando setores variados como pecuária, avicultura, serviços associativos e domésticos:
- Manaus: A capital concentra três ocorrências. Uma delas envolve o Centro de Equoterapia Manaus, fiscalizado em 2024 no bairro Adrianópolis (dois trabalhadores). Outra aponta irregularidades na Granja Imperial, localizada no Ramal do Pau Rosa (Km 21 da BR-174), com dois trabalhadores resgatados em 2025 por meio de Francisco Roberto Alencar Bandeira. O caso mais recente na capital diz respeito a Thiago Trindade de Assis, referente a uma residência particular fiscalizada em 2026 com um trabalhador envolvido.
- Presidente Figueiredo: A fiscalização direcionada a Ivan Belizário da Silva, realizada em 2026 no Km 122 da BR-174, identificou dois trabalhadores em condições análogas à escravidão.
- Tapauá: Márcio Fernandes Barbosa foi incluído devido a uma autuação de 2024 na Linha Monte Azul, na zona rural do município, envolvendo três trabalhadores.
O contexto do Cadastro Nacional
O “cadastro sujo” do MTE funciona como um instrumento de transparência pública. Ele reúne exclusivamente os nomes de empregadores cujos processos foram encerrados em âmbito administrativo, garantindo o direito à ampla defesa antes da publicação oficial.
Com essa atualização de outubro — que engloba decisões proferidas entre novembro de 2025 e agosto de 2026 —, o Amazonas passa a contar com um panorama mais amplo sobre a atuação dos órgãos fiscalizadores no combate a essa violação de direitos trabalhistas no território estadual.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM.

