O pulso da estiagem: como o Rio Negro se comporta em Manaus e os impactos na rotina do Amazonas

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Foto: Seca do Rio Negro em 2026 – Manaus. (Sara Rangel)

Redação – A vazante dos rios na Amazônia volta a atrair os olhares de pesquisadores, autoridades e moradores. De acordo com o monitoramento do Porto de Manaus, o nível do Rio Negro marcou 16,59 metros nesta terça-feira, o que representa uma queda de 2 metros em apenas 25 dias (partindo de 18,59 metros em 2 de outubro).

Apesar de a marca atual estar 2,74 metros abaixo do registrado na mesma data em 2025 (quando o rio marcava 19,33 metros), a dinâmica da seca deste ano apresenta uma curiosidade técnica: a velocidade da descida tem sido ligeiramente mais branda do que no ciclo anterior. Entre 2 e 27 de outubro do ano passado, por exemplo, o recuo foi de 3,11 metros — o que demonstra que, embora a cota seja menor agora, o ritmo atual de esvaziamento desacelerou em comparação com o mesmo intervalo de 2025.

O cenário climático e os alertas técnicos

O Serviço Geológico do Brasil (SGB), em seu boletim estratégico de monitoramento, aponta que a consolidação de fatores climáticos globais — como o fenômeno El Niño — exige acompanhamento rigoroso na Região Norte. As bacias que mais preocupam os especialistas no momento são as dos rios Negro e Branco, onde o déficit de chuvas e as previsões desfavoráveis mantêm o sinal de alerta ligado.

Para os grandes eixos fluviais como o Amazonas, o Solimões e o Tapajós, a tendência projetada é de continuidade da vazante dentro de parâmetros que acompanham o comportamento histórico, embora qualquer atraso no retorno regular do período chuvoso possa estender o período de baixas águas.

Panorama da Defesa Civil no estado

Os desdobramentos da estiagem e das queimadas florestais exigem mobilização contínua nos municípios amazonenses. Conforme o boletim divulgado pela Defesa Civil do Estado, a situação divide-se atualmente em três níveis de atenção institucional:

  • Situação de Emergência (46 municípios): Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
  • Situação de Alerta (12 municípios): Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.
  • Situação de Atenção (4 municípios): Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga.

Ao todo, o impacto documentado alcança cerca de 113,9 mil famílias em todo o território amazonense, evidenciando os desafios logísticos e sociais impostos pelo regime das águas na região.

Fonte: G1 Amazonas

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