Servidor da ESMAM apresenta projeto de inclusão social que auxilia crianças autistas

Servidor da ESMAM apresenta projeto de inclusão social que auxilia crianças autistas
Foto: Gustavo Diehl/UFRGS

Um fantoche eletrônico, que é uma tecnologia educacional assistiva, pode auxiliar crianças com autismo em atividades pedagógicas. O projeto é do servidor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas (ESMAM) Roceli Lima, que também é doutor em Informática na Educação. Esse trabalho foi apresentado recentemente na capital amazonense em um evento de projetos digitais – a 1ª Feira Polo Digital de Manaus, no stand da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O evento foi promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus (Codese Manaus).

De acordo com Roceli Lima, que é no interior do Amazonas, do município de Itacoatiara, a ideia do produto é simples, porém, inovadora e ainda leva informática para a educação, além de promover a inclusão social. “O produto usa um fantoche convencional, no qual são adicionados componentes eletrônicos que possibilitam interação entre o ambiente real e o virtual, durante a narrativa contada pelos educadores às crianças”, explicou Roceli.

Foto: Divulgação

O fantoche eletrônico funciona da seguinte forma: a pessoa cria uma história baseada em objetos reais. Por exemplo, se o conto fala sobre carros é importante ter objetos mostrando o que foi mencionado. Cada figura representada na história é associada aos objetos reais por meio de sensores durante a narrativa.

A principal finalidade do projeto, conforme seu idealizador, desenvolver o estado afetivo de crianças autistas com as pessoas com as quais convive e, consequentemente, criar um canal de comunicação, “mesmo porque o autista tem déficit de atenção e também não tem oralidade na maioria dos casos”, completou o servidor da ESMAM. “Essa é uma forma do professor utilizar uma ferramenta alternativa com essas crianças e, se possível, alcançar os mesmos objetivos quando se trabalha com crianças que não tem o autismo”, explicou Roceli.

Ainda segundo ele, o fantoche eletrônico faz o “intercâmbio” entre os objetos reais e a história que será projetada ou contada, “quando o objeto é aproximado no fantoche, o mesmo faz a leitura do sensor”. A criança estará participando da atividade por meio de uma tecnologia interativa com a utilização de várias mídias, como áudio, imagem e movimentação, enfatizou o servidor da escola.

Foto: Acervo Pessoal – Roceli Lima

Desenvolvido para crianças autistas, o fantoche eletrônico ainda pode ser aplicado com outras que possuam diversidades funcionais, como, por exemplo, paralisia cerebral, baixa visão ou com deficiência visual total e auditiva.

Resultado

A primeira experiência feita com sucesso ocorreu em Porto Alegre (RS), no ano passado, e demonstrou uma prática com histórias contadas em sala de aula, sendo replicada para mais três salas. Em cada sala havia 20 alunos, dentre eles uma criança autista. O resultado foi muito bom, conforme Roceli. Ele observou que quando as histórias eram contadas com o fantoche que não era eletrônico, a criança autista não prestava atenção. Diferentemente, da utilização do eletrônico.

“Quando utilizamos um fantoche eletrônico o resultado foi acima da média. O interesse dos alunos em entender a história foi só o início de outra atitude, a vontade de participar da dinâmica, isso era fácil de ver com as expressões faciais (alegria) e também corporal. Então o resultado comparado à atividade com o fantoche não eletrônico, chegou a 70% de aprovação”, completou Roceli.

Valor do produto

O fantoche eletrônico nasceu já se pensando no custo baixo, principalmente para alcançar o maior número de escolas possíveis, de acordo com o autor do projeto. O valor atualmente está em torno de R$ 100,00, já mais baixo que o inicial – R$ 150,00.

A escola pode comprar apenas um kit de fantoche eletrônico e compartilhar com outros professores, uma vez que é reutilizável. “O melhor de tudo é que as histórias podem ser adaptadas de acordo com o gosto das crianças. Tudo foi bem pensado no baixo custo”, acrescentou Roceli Lima. O projeto obteve recursos do Governo do Estado do Amazonas, via Fapeam, por meio do Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados do Estado do Amazonas (PROPG-AM). E também contou com apoio do Governo Federal.

Já foi submetido para participar de um edital, oferecido pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, fundação vinculada ao Ministério da Educação que atua na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu – mestrado e doutorado – em todos os Estados do país). Atualmente esse projeto está escrito e definido como protótipo pronto para uso.

Texto: Assessoria ESMAM

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