Onda de violência na Compensa, em Manaus, já deixou ao menos 21 mortos neste ano

Onda de violência na Compensa, em Manaus, já deixou ao menos 21 mortos neste ano
Policiais informaram que base policial em tenda foi montada após recorrentes homicídios no bairro Compensa. — Foto: Patrick Marques/G1 AM

Pelo menos 21 pessoas foram vítimas de homicídio no bairro Compensa, na Zona Oeste de Manaus, durante os três primeiros meses de 2021, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e Instituto Médico Legal (IML).

Conforme a polícia, uma briga entre facções criminosas acontece no bairro e tem refletido no aumento de homicídios na Compensa no início do ano. Operações contra crimes passaram a acontecer e até uma nova base policial foi montada na área para tentar coibir os casos.

De acordo com os dados divulgados pela SSP-AM, no mês de janeiro, foram três homicídios registrados no bairro Compensa. Já no mês de fevereiro, o número subiu para 13 mortes.

Ainda conforme dados divulgados pela SSP, o registro de 13 de homicídios no bairro Compensa em fevereiro de 2021 já é o maior número em um único mês dos últimos dois anos.

Entre 2019 e 2021, os meses com mais homicídios haviam sido fevereiro e maio de 2020, com 11 registros cada.

Segundo os registros de mortes no IML, durante o mês de março, cinco pessoas já haviam sido vítimas de homicídios no bairro Compensa até a tarde desta quarta-feira (17). Com o registro, o número de casos no bairro já é de 21 pessoas mortas em homicídios durante o ano.

Base policial montada após mortes

No início de março, uma base policial em uma tenda foi montada na Praça do Leme, na rua Maria Amorim Neves, no bairro Compensa. Questionada sobre o motivo, a SSP-AM informou apenas que a base faz parte de uma ação policial que acontece no bairro e que mais detalhes não poderiam ser repassados.

No local, policiais da 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), informaram ao G1 que a base foi montada após o grande registro de mortes que aconteceram no bairro nos dias anteriores. Segundo eles, uma briga entre duas facções criminosas acontece na área.

“Foi montada para reforçar a segurança por aqui. Estava acontecendo muitas mortes por conta do tráfico de drogas”, informou um policial militar que preferiu não se identificar.

Base policial foi montada em uma praça do bairro Compensa. — Foto: Patrick Marques/G1 AM

Moradores temem crimes

No fim da tarde de terça-feira (16), a analista comercial Suziane Bezerra, de 30 anos, decidiu ir até a Praça do Leme para passear com o filho de três anos. Segundo ela, há um tempo ela não fazia isso com o filho por temer os crimes que acontecem no bairro.

“Hoje que eu estou saindo com o meu filho. A gente fica o tempo todo em casa apreensivos. Tem uma área para o final da rua em que sempre acontecem esses crimes. Sempre tem homicídios por aqui. Dá medo até de sair de casa”, comentou Suziane.

Outro morador, que preferiu não se identificar, também comentou que homicídios e crimes de tráfico de drogas costumam ser constantes no bairro. Segundo ele, o medo das pessoas é de serem baleados durante confrontos entre criminosos.

“O ruim é bala perdida. As vezes eles chegam e trocam tiros entre si, mas um dia desses pegou um tiro em um garotinho que estava brincando. Outra vez, um pastor foi baleado também. O nosso medo é esse. Sobrar para quem não tem nada a ver”, afirmou o morador do bairro Compensa.

Órgãos de segurança fazem operações

No dia 24 de fevereiro, a SSP-AM iniciou operações contra crimes pelo bairro Compensa. De acordo com o órgão, incursões policiais foram iniciadas no bairro desde então, para apuração de denúncias de crimes de tráfico de drogas.

Segundo o último balanço divulgado pela secretaria no dia 9 de março, durante 15 dias de operações no bairro, cinco pessoas foram presas suspeitas de tráfico, um adolescente e oito armas de fogo foram apreendidas pelas equipes policiais.

Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) investiga crimes. — Foto: Patrick Marques/G1 AM

Casos

Um dos 16 casos registrados durante o ano no bairro foi de um homem de 22 anos, no dia 17 de fevereiro. Na ocasião, um morador acionou a 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), após encontrar a cabeça do homem dentro de uma sacola preta, na garagem da casa em que mora.

Horas depois, a outra parte do corpo do homem foi encontrada com as mãos amarradas para trás em um igarapé que passa pelo bairro. De acordo com a polícia, a vítima tinha passagem pelo crime de furto.

No início de março, uma criança de seis anos foi baleada durante o homicídio de um homem no bairro Compensa. Na ocasião, a criança brincava na rua, quando homens em uma moto dispararam diversas vezes contra o homem e o menino também foi atingido por um tiro na barriga.

O homem foi atingido por 11 tiros pelo corpo. Ele não resistiu e morreu no local do crime. A criança foi socorrida para o Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) Joventina Dias, no bairro Compensa.


Fonte: G1 Amazonas

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