Crise na Hapvida: ações despencam e operadora acumula multas da Agência Nacional de Saúde 

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Fotos: Divulgação/Hapvida | Composição: Luan Araujo

Redação – A Hapvida Assistência Médica S.A. enfrenta uma crise, com desvalorização no mercado financeiro e sanções aplicadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que acenderam alerta sobre a capacidade da operadora de manter a regularidade no atendimento aos beneficiários. Desde 2021, a empresa desvalorizou 102 bilhões na bolsa de valores de São Paulo (B3). No último dia 30 de janeiro, a agência aplicou R$ 580,8 mil em multas administrativas à operadora. 

Conforme consulta da CENARIUM, a Hapvida (HAPV3) registrou uma queda acumulada de 92,7% no valor de mercado no período de 2021 a 2026, também figurando entre os piores desempenhos do Ibovespa (índice da B3) em novembro do ano passado, com 47% de redução. A HAPV3 abriu o capital em 2018, e em 2021, anunciou a fusão com a NotreDame, passando a valer R$ 110 bilhões. Em 2026, a companhia registra R$ 8 bilhões na B3.

As ações da Hapvida Participações e Investimentos S.A. acumulam uma desvalorização de 95,53% nos últimos cinco anos na B3, segundo dados do mercado financeiro. O papel, que chegou a ultrapassar os R$ 250 em 2021, é negociado atualmente em torno de R$ 11,54, refletindo uma perda de R$ 246,46 por ação no período.

Foto: Reprodução/B3

Paralelamente ao tombo financeiro, a operadora passou a ser alvo de um volume expressivo de penalidades regulatórias. As multas da ANS aplicadas na Hapvida foram referentes a falhas no envio de informações obrigatórias, obstáculos à fiscalização e descumprimento de regras relacionadas ao atendimento aos beneficiários. A informação foi apurada pela CENARIUM a partir de consulta ao Diário Oficial da União (DOU), no último dia 2 de fevereiro.

Levantamento dos processos julgados pela ANS mostra que a Hapvida foi a operadora mais recorrente entre as condenações analisadas no período. A empresa concentrou dezenas de penalidades, com multas individuais que variam de R$ 27 mil a R$ 316,8 mil, aplicadas por diferentes diretorias técnicas da agência reguladora, responsáveis por fiscalizar dados financeiros, gestão administrativa e o cumprimento das obrigações assistenciais.

Foto: Reprodução/Diário Oficial

Segundo a ANS, a operadora deixou de encaminhar, dentro dos prazos exigidos, informações financeiras, cadastrais e dados sobre a rede de atendimento. Esses relatórios são considerados essenciais para que a agência acompanhe a situação econômico-financeira das empresas e avalie se elas possuem estrutura e recursos suficientes para cumprir os contratos firmados com os consumidores.

Também constam penalidades relacionadas à postura da empresa diante da fiscalização, como o não atendimento a solicitações formais, atraso no envio de documentos e criação de obstáculos a inspeções técnicas. Parte das multas está associada a falhas na garantia de cobertura assistencial, quando procedimentos previstos nas normas da ANS não foram assegurados aos beneficiários, bem como a irregularidades administrativas.

Contrato milionário
As sanções atingem a mesma operadora que mantém um contrato de R$ 119 milhões com a Prefeitura de Manaus, sob a gestão do prefeito David Almeida (Avante), para a prestação de serviços de saúde aos servidores municipais. O acordo foi firmado após uma licitação marcada por questionamentos e pela intervenção do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM).

A Prefeitura de Manaus, sob a gestão de David Almeida, formalizou o Termo Aditivo ao Contrato nº 001/2024 com a Hapvida Assistência Médica S.A., prorrogando por 12 meses a terceirização da empresa pelo valor global de R$ 119.927.162,48, por serviços de plano de saúde e assistência odontológica aos servidores municipais.

Foto: Reprodução/Diário Oficial do Município

O novo aditivo da Prefeitura de Manaus com a Hapvida, assinado em 17 de dezembro de 2025 e publicado na edição do Diário Oficial do Município (DOM) de 7de janeiro, prorroga a vigência contratual no período até o dia 17 de dezembro de 2026.

No contrato anterior, o valor global da empresa era de R$ 108 milhões, com reajuste de 10%, o equivalente a R$ 11,9 milhões na cláusula prevista no contrato original e apoiado pelo parecer jurídico interno da Secretaria Municipal de Administração e Gestão (Semad).

De acordo com o contrato aditivo, os empenhos envolvem contribuições dos servidores da Prefeitura de Manaus e aportes patronais do município, classificados na rubrica de serviços médicos, hospitalares, odontológicos e laboratoriais. O aditivo foi assinado pelo secretário municipal de Administração e Gestão, Ceno Bernardo, e pelo subsecretário do Manausmed, Heliandro da Matta Queiroz de Aquino, mantendo as cláusulas do contrato original.

O prefeito David Almeida afirmou, nesta segunda-feira, 9, que o contrato de R$ 109 milhões previa o aditivo em caso de crescimento no número de beneficiários. Segundo almeida, o número de pessoas atendidas passou de 32 mil para 47 mil.

“O contrato foi de R$ 109 milhões de reais ganho em licitação, com aditivo de 10%. No próprio contrato estava inserido que nós tínhamos 32 mil vidas, a cada 1 mil vidas, um aditivo de crescimento. Nós temos, hoje, 47 mil vidas. O preço médio do contrato dá uma média de R$ 211 por plano de saúde. A contribuição do plano de saúde da prefeitura é da ordem de R$ 68, que varia até R$ 1.200. Portanto, a média do plano de saúde contratado pela prefeitura é de R$ 211. Um dos planos de saúde mais baratos do Brasil e que tem ajudado a solucionar o problema da saúde do servidor municipal“, declarou.

Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

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