Justiça Federal trava licitações de R$ 678 milhões na BR-319 por suspeita de fraude ambiental

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Redação – Uma decisão liminar da Justiça Federal do Amazonas interrompeu, nesta terça-feira (28), o avanço das obras no polêmico “trecho do meio” da BR-319. A magistrada Mara Elisa Andrade atendeu a um pedido do Observatório do Clima, que questiona a estratégia do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de realizar intervenções pesadas sem o devido licenciamento ambiental.

O conflito: Manutenção ou Reconstrução?

O cerne da disputa jurídica reside na classificação das obras. Enquanto o Dnit lançou quatro pregões eletrônicos sob o rótulo de “manutenção e melhoramento”, o Observatório do Clima argumenta que o volume de recursos (R$ 678 milhões) e a natureza dos serviços configuram, na verdade, uma reconstrução e pavimentação.

Essa distinção técnica é crucial:

  • Manutenção: Pode dispensar estudos ambientais complexos.
  • Reconstrução/Pavimentação: Exige o licenciamento pleno pelo Ibama devido ao impacto na floresta.

Em sua decisão, a juíza foi enfática ao afirmar que o executor da obra não pode determinar as próprias regras de licenciamento: “O proponente da obra não pode ser juiz de si mesmo”, declarou.


Impactos e Riscos Citados

A rodovia, que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO), corta uma das regiões mais preservadas e sensíveis da Amazônia. A Justiça destacou que o avanço das obras sem fiscalização rigorosa pode desencadear um efeito dominó de danos irreversíveis, incluindo:

  1. Aumento do desmatamento em áreas adjacentes.
  2. Expansão da grilagem de terras públicas.
  3. Abertura de ramais e estradas ilegais conectadas à via principal.

O que acontece agora?

A suspensão tem validade inicial de 70 dias, período em que o Dnit fica proibido de assinar contratos ou iniciar os trabalhos. Caso a ordem seja descumprida, a multa fixada é de R$ 1 milhão.

Nesta janela de tempo, o cenário jurídico exige:

  • Transparência total: O Dnit deve entregar o processo administrativo detalhando cada intervenção prevista.
  • Avaliação do Ibama: O órgão ambiental precisará se posicionar formalmente sobre a validade da dispensa de licenciamento.

Detalhes do Projeto Pausado

O plano do Governo Federal previa a pavimentação de aproximadamente 339 quilômetros (entre o km 250 e o km 590), além da construção de uma ponte sobre o Rio Igapó-Açu. Até o momento, o Ministério dos Transportes e os órgãos envolvidos não emitiram comunicados oficiais sobre a paralisação.

A decisão atual é temporária, e o mérito da questão — que definirá se os editais serão definitivamente anulados ou retomados — ainda aguarda julgamento final.

Fonte: G1 Amazonas

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