Brasil registra alta de 8,1% ao ano em casos de violência sexual entre 2016 e 2022

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Foto: (Fred Santana / CENARIUM)

Redação – Um estudo detalhado sobre a evolução da violência sexual no Brasil revela um cenário alarmante: entre os anos de 2016 e 2022, o país registrou um crescimento constante de 8,1% ao ano nesse tipo de crime. A análise, intitulada “Tendência temporal da violência sexual: análise de série temporal, Brasil, 2016-2022”, foi elaborada com base em aproximadamente 300 mil registros do sistema público de saúde e demonstra que o avanço do problema atinge todas as regiões brasileiras de forma homogênea.

Diferente do que o senso comum pode sugerir, o levantamento indica que o consumo de bebidas alcoólicas não é o fator determinante para o aumento dos crimes. Além disso, os pesquisadores alertam para a falta de informações cruciais nos formulários oficiais, como a ausência de campos para identificar a orientação sexual e a identidade de gênero das vítimas.

Metodologia e cenário nacional

A pesquisa utilizou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e aplicou modelos estatísticos para verificar se a alta era apenas um fenômeno passageiro. O resultado confirmou uma tendência de crescimento estrutural e contínuo, que se reflete também em outros indicadores, como o recorde de estupros notificado em 2023 pelos órgãos de segurança pública.

Vulnerabilidade: O perfil das vítimas

O relatório coloca um holofote sobre a fragilidade de menores de idade, que compõem cerca de 75% das vítimas totais. O grupo mais atingido compreende adolescentes entre 10 e 19 anos, seguido por crianças de 0 a 9 anos.

A pesquisadora Ludiane Rodrigues observa que o subdiagnóstico e a resistência em denunciar ainda são barreiras reais, especialmente no caso de vítimas do sexo masculino. Segundo ela, padrões culturais de masculinidade impõem barreiras de vergonha e medo, dificultando a busca por ajuda especializada e expondo falhas no acolhimento oferecido pelo Estado.

Outro ponto de preocupação é a violência de repetição, que sinaliza a existência de ciclos de abuso prolongados que não são interrompidos pelas redes de proteção.

O perigo dentro de casa

Ao contrário da percepção de que a insegurança está nos espaços públicos, os dados revelam que o ambiente doméstico é o local onde a violência sexual mais cresceu, com taxas superiores à média nacional. A relação de proximidade e confiança com os agressores, aliada à falta de vigilância externa, torna a residência o cenário principal para esses crimes.

No que diz respeito ao perfil étnico-racial, o estudo aponta que:

  • A maioria das vítimas é composta por mulheres e pessoas pardas.
  • Houve uma aceleração notável no número de ocorrências envolvendo populações pretas e amarelas.

Para a pesquisadora Jardeliny Corrêa, a falta de dados sobre a população LGBTQIA+ — especialmente pessoas trans — é uma lacuna grave que impede a formulação de políticas públicas mais assertivas. “Como o Brasil ocupa posições negativas em rankings de violência contra pessoas trans, ter esses dados nacionais seria fundamental para entender a dimensão real do problema”, conclui.

Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

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