Policiamento do Céu: Como a FAB Fiscaliza o Espaço Aéreo no Amazonas

No momento, você está visualizando Policiamento do Céu: Como a FAB Fiscaliza o Espaço Aéreo no Amazonas
Foto: Lucas Macedo/g1 Amazonas

Redação – Assim como ocorre nas rodovias, o céu brasileiro possui suas próprias “blitzes”. Conhecida tecnicamente como interceptação, essa manobra é a ferramenta primordial da Força Aérea Brasileira (FAB) para garantir a soberania nacional. Recentemente, uma simulação realizada entre Manaus e São Gabriel da Cachoeira (AM) demonstrou como caças A-29 Super Tucano atuam para identificar e monitorar aeronaves na região amazônica.

A operação faz parte do esforço do Comando Conjunto Harpia, que une as três Forças Armadas no combate a delitos transfronteiriços, como o narcotráfico e o garimpo ilegal.

O Protocolo de Abordagem: Do Rádio ao Tiro de Aviso

Foto: CECOMSAER/Arquivo

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) estabelece uma hierarquia de ações que prioriza a segurança e a comunicação. A interceptação não é sinônimo de crime, mas sim um procedimento de verificação de identidade e intenções.

As etapas principais incluem:

  1. Detecção e Contato: Ao entrar na Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA), o radar identifica o alvo. Órgãos de controle tentam contato via rádio.
  2. Identificação Visual: Se o silêncio persistir ou os dados forem conflitantes, caças são enviados para conferir visualmente a matrícula e o modelo da aeronave.
  3. Medidas de Persuasão: Caso a aeronave ignore as ordens, o protocolo escala. O tiro de aviso (munição traçante que não atinge o alvo, mas brilha no céu) é um dos últimos recursos para forçar o cumprimento das instruções.

Importante: Todo o processo é rigorosamente auditado e gravado, garantindo que o uso da força, quando necessário, ocorra dentro da legalidade internacional.

O Que Fazer ao Ser Interceptado?

Para pilotos civis, a regra de ouro é a cooperação imediata. O DECEA orienta que as seguintes ações sejam tomadas sem hesitação:

  • Siga as ordens: Seja por instruções de áudio ou sinais visuais (como o balançar das asas do caça), o piloto deve obedecer à trajetória indicada.
  • Comunicação: Tente contato na frequência de emergência e identifique seu plano de voo.
  • Transponder: Deve-se manter o equipamento ligado. Em situações críticas, o uso do código 7700 sinaliza emergência geral aos radares.

Vigilância Invisível e Sinais Visuais

Muitas vezes, a interceptação é discreta. Um caça pode se aproximar, validar as informações e se retirar sem que a tripulação civil sequer perceba a presença militar. O rigor se justifica pelo risco de clonagem de matrículas ou uso de aviões para fins ilícitos.

Quando o rádio falha, a comunicação passa a ser visual. Manobras específicas e o uso de luzes de navegação servem como um código universal. Por exemplo, um caça que executa uma curva brusca à frente de outra aeronave está emitindo uma ordem direta de mudança de curso ou pouso obrigatório.

A Engrenagem por Trás da Defesa

A eficácia dessas missões depende da fusão entre a aviação civil e militar. O alerta geralmente nasce nos centros de controle de tráfego aéreo e é repassado aos Centros de Operações Militares (COPM).

A mente estratégica por trás dessas ações é o COMAE (Comando de Operações Aeroespaciais). É este órgão que decide, em tempo real, o nível de coerção necessário para proteger as fronteiras brasileiras, especialmente em áreas remotas e sensíveis como a Amazônia.

Fonte: G1 Amazonas

Deixe uma resposta