
Redação – Uma rede criminosa de agiotagem e extorsão que movimentou cifras milionárias e espalhou o terror foi o alvo da Operação Covil de Mamon, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). O esquema contava com a participação direta de dois cabos da Polícia Militar e utilizava de violência extrema — incluindo tentativas de homicídio — para cobrar juros astronômicos. Em um dos casos mais alarmantes, um empréstimo irrisório de R$ 150 escalou para uma cobrança abusiva de R$ 45 mil.
O modus operandi da violência e o rastro de R$ 24 milhões
De acordo com o delegado Fernando Bezerra, as investigações desarticularam toda a pirâmide das duas organizações criminosas envolvidas, capturando desde os mentores intelectuais até os cobradores violentos e os responsáveis pela logística de armas e veículos.
A atuação dos grupos era marcada pela crueldade. Vítimas que não conseguiam arcar com as parcelas abusivas tinham seus patrimônios — como carros e imóveis — tomados à força. Em cenários mais graves, a retaliação evoluía para agressões físicas e execuções.
“Temos o caso de uma senhora que foi fuzilada; ela só não morreu porque, após levar três tiros, recebeu atendimento médico a tempo”, revelou o delegado durante a coletiva.
Apenas um dos grupos criminosos investigados foi responsável por movimentar cerca de R$ 24 milhões, evidenciando o tamanho da estrutura financeira ilícita que contava com o apoio dos policiais militares no núcleo financeiro.
Ofensiva nacional: Prisões em quatro estados
A ação policial não se limitou ao Amazonas. Com o apoio de setores de inteligência, os agentes cumpriram mandados simultâneos em outras três unidades da federação: Santa Catarina, Paraíba e Roraima.
- Total de mandados de prisão expedidos: 25
- Capturas confirmadas no primeiro balanço: 20 detidos (sendo 13 no Amazonas e 7 espalhados pelos outros estados).
Bastidores da investigação
A força-tarefa foi liderada pelas equipes do 12º e 20º Distritos Integrados de Polícia (DIP), contando com peritos criminais para garantir a validade jurídica das provas coletadas. O nome dado à operação, Covil de Mamon, é uma alusão direta à deidade mitológica que simboliza a ganância desmedida e a busca pela riqueza a qualquer custo.
A Polícia Civil informou que o caso não está encerrado. Os próximos passos da investigação incluem a análise minuciosa de quebras de sigilo bancário, documentos apreendidos e novos depoimentos, buscando identificar outros possíveis integrantes e ramificações do esquema.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
