Blindagem e Fuzis no Solimões: Confronto na água termina com apreensão de 2,5 toneladas de skank

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Foto: Jucélio Paiva/Rede Amazônica

Redação – O avanço do poder bélico do narcotráfico na Amazônia ficou evidente na última quarta-feira (20), durante uma intensa troca de tiros no Rio Solimões, em Coari. Criminosos a bordo de uma lancha com blindagem artesanal e motores de alta potência (três de 250 HP) abriram fogo contra equipes da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) que tentavam interceptar a embarcação. Após o tiroteio cinematográfico no meio do rio, os traficantes abandonaram a rota, saltaram na água e conseguiram fugir pela mata fechada. Nenhum policial foi ferido na ação.

A operação, fruto de meses de monitoramento do serviço de inteligência, resultou em um golpe financeiro significativo para o crime organizado. Na lancha interceptada, os agentes encontraram:

  • 2,5 toneladas de maconha tipo skank;
  • 3 fuzis de grosso calibre;
  • Mais de mil munições intactas.

“Os criminosos reagiram violentamente para tentar proteger a carga, mas a nossa equipe conseguiu repelir a agressão. Eles preferiram saltar no rio e fugir a pé, deixando todo o material para trás”, explicou o coronel Bruno Azevedo, chefe do Estado-Maior-Geral da PMAM.

A Rota Internacional e o Perfil da Região

De acordo com as investigações preliminares, o carregamento de entorpecentes cruzou a Tríplice Fronteira (Brasil, Colômbia e Peru). A lancha usava o modal do Alto Solimões e já cruzava o Médio Solimões, na altura de Coari, tendo Manaus como destino temporário.

O delegado da Polícia Federal, Victor Mota, alertou para o nível de profissionalismo e agressividade que as facções vêm adotando no estado. “O que vemos hoje é um cenário de confronto aberto. Os traficantes estão navegando com armamento pesado e blindagem para enfrentar as forças de segurança. Nosso papel agora é cruzar dados de inteligência para descobrir quem coordenava essa logística e qual seria o destino final da droga”, pontuou Mota.

A vulnerabilidade social da calha do Solimões joga a favor do crime. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que a região — onde facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) disputam território — abriga cerca de 281 mil moradores (sendo mais da metade de origem indígena). Com mais de 64% da população dependente do Bolsa Família e poucas oportunidades de emprego formal, o tráfico encontra facilidade para aliciar mão de obra local para o transporte de cargas.

Recorde de Apreensões e Reforço Fluvial

Com o resultado desta operação em Coari, o balanço da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas aponta que o estado já retirou de circulação 27 toneladas de drogas apenas nos primeiros cinco meses de 2026 — um salto expressivo, considerando que até o início de maio o acumulado era de 24,5 toneladas.

Para tentar conter o fluxo de armas e drogas pelas “rodovias hídricas” da Amazônia, o governador Roberto Cidade anunciou que o policiamento no interior receberá reforço tecnológico e de pessoal.

“Estamos ampliando a presença policial tanto na capital quanto nos municípios do interior. Através de uma parceria com o governo federal, que está custeando as diárias dos nossos agentes, vamos receber mais duas lanchas blindadas para patrulhar as calhas dos rios de forma mais segura e eficiente”, garantiu o governador.

Fonte: G1 Amazonas

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