Brasil registra queda no desmatamento em 2025 e fica abaixo de 1 milhão de hectares

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Palê Zuppani/ICMbio

Redação – Pela primeira vez em seis anos, o índice anual de desmatamento no Brasil ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares. Dados do Relatório Anual do Desmatamento (RAD2025), publicado pelo MapBiomas, apontam que o país perdeu 984.794 hectares de vegetação nativa no ano passado — o que representa uma retração de 20,6% em comparação com o balanço de 2024.

Embora o recuo tenha sido observado em todos os biomas brasileiros, o ritmo da supressão vegetal ainda equivale a uma perda média diária de 2.698 hectares (cerca de 112 hectares por hora). Em termos comparativos, o acumulado dos últimos sete anos aponta uma perda de 10,9 milhões de hectares de áreas nativas no território nacional.

Foto: Palê Zuppani/ICMbio

Desempenho por Biomas: Cerrado e Amazônia Lideram as Perdas

Apesar das reduções percentuais, a Amazônia e o Cerrado continuam concentrando a maior parte da atividade de desmatamento, somando juntos mais de 84% do total nacional.

  • Cerrado: Permanece como o bioma mais afetado em extensão territorial. Foram 540.614 hectares suprimidos em 2025 (54,9% do total do país), mesmo com uma diminuição de 16,9% em relação ao ano anterior.
  • Amazônia: Registrou a perda de 289.478 hectares, indicando uma redução de 23,5% no comparativo anual. O ritmo de desmatamento na região foi calculado em 792 hectares por dia.
  • Pantanal: Destacou-se com a maior queda proporcional entre as regiões analisadas, apresentando uma retração de 48,4% nas áreas desmatadas, que totalizaram 12.260 hectares.

Quanto ao tipo de vegetação, as formações savânicas foram as mais atingidas pelo terceiro ano seguido, representando 51,4% da área afetada, seguidas de perto pelas formações florestais (46,3%), que predominaram nos desmatamentos da Amazônia e da Mata Atlântica.

Foto: ICMBio

Panorama Regional e o Peso do Matopiba

O monitoramento geográfico revela que o desmatamento está fortemente concentrado na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso), que abrangeu mais de 63% da perda de vegetação entre os estados em 2025.

  • Destaques Estaduais: O Pará, que lidera o acumulado histórico entre 2019 e 2025 com mais de 2 milhões de hectares perdidos, anotou uma redução de 40% no último ano. Quedas expressivas acima de 50 mil hectares também foram vistas no Maranhão e em Tocantins, enquanto Sergipe e Alagoas reduziram seus índices em mais de 60%.
  • Foco Municipal: Pela primeira vez, o município de Canto do Buriti (PI), localizado na Caatinga, liderou o ranking municipal com 20.877 hectares desmatados, impulsionado pelo maior evento único de desmatamento registrado no ano.

Vetores Econômicos da Supressão Vegetal

O relatório do MapBiomas detalha quais atividades humanas motivaram a abertura de novas áreas:

Vetor de PressãoRepresentação no Desmatamento (2025)Dinâmica e Localização Principal
Agropecuária~99%Principal indutor histórico, respondendo por 97% da perda de vegetação nos últimos 7 anos.
GarimpoConcentrado99% das áreas detectadas ficaram na Amazônia, especialmente no Pará.
Energia RenovávelConcentrado97% das supressões ligadas a este setor ocorreram na Caatinga.
Expansão Urbana+7% (crescimento)Concentrou-se majoritariamente nas regiões do Cerrado e da Amazônia.

Situação nas Áreas Protegidas e Terras Indígenas

As áreas sob regimes especiais de proteção continuam apresentando os menores índices de degradação, registrando reduções no último período:

Terras Indígenas (TIs): Houve redução de 22% nas perdas, totalizando 12.593 hectares. Cerca de 30% das TIs do país registraram ao menos um evento de desmatamento em 2025. A TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra (MA) manteve-se como a área indígena com maior perda de vegetação (4.089 hectares), apesar de ter reduzido o ritmo em 34%.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Unidades de Conservação (UCs): Registraram a supressão de 46.257 hectares, queda de 21,4% face a 2024. Nas UCs de Proteção Integral (categorias mais restritas), a retração foi de 55,8%. O Cerrado concentrou 43,5% do desmatamento em UCs, com destaque para a APA do Rio Preto (BA), que teve alta de 44% e liderou as perdas nessa categoria.

Fonte: Agência Brasil

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