Brasília adota tom de “reciprocidade” e descarta retaliação comercial com os EUA

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Redação – Em pronunciamento realizado nesta sexta-feira (17) em São Paulo, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou o posicionamento do governo brasileiro diante das novas barreiras alfandegárias de 25% estabelecidas por Washington. Evitando o termo “retaliação”, o ministro sinalizou que o Brasil responderá por meio de mecanismos legais de reciprocidade, priorizando a estabilidade econômica e os canais diplomáticos de negociação.

O foco da estratégia: A resposta brasileira será pautada por uma legislação aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, que blinda os interesses comerciais do país e define ritos específicos para reagir a taxas consideradas unilaterais ou sem amparo técnico.

Os Três Pilares da Resposta Brasileira

A condução do Ministério da Fazenda para mitigar o impacto das novas tarifas baseia-se em três frentes principais:

  • Validação da Reciprocidade Legal: O governo estuda, em conjunto com o setor produtivo, a aplicação de medidas proporcionais autorizadas pelo Legislativo. O plano será apresentado diretamente ao presidente da República, sem prazos açodados.
  • Manutenção do Diálogo Bilateral: Durigan garantiu que a imposição das taxas não irá interromper as tratativas. A intenção é apresentar formalmente os argumentos técnicos brasileiros nos próximos meses para demonstrar o prejuízo que a medida traz para ambos os mercados.
  • Destaque ao Déficit Comercial: A equipe econômica ressalta que a balança comercial entre as duas nações já é favorável aos Estados Unidos (o Brasil registra déficit com o mercado norte-americano). Portanto, novas barreiras seriam economicamente contraproducentes para a própria cadeia produtiva global.

Divergências Técnicas e a Defesa do Pix

O Ministério da Fazenda rebateu os argumentos da gestão de Donald Trump, classificando-os como desatualizados e desprovidos de fundamento macroeconômico. A liderança econômica dividiu as contestações em duas áreas críticas:

1. Argumentação Ambiental e Setorial

De acordo com o ministro, a justificativa norte-americana de “práticas comerciais indevidas” e menções ao desmatamento não refletem a realidade atual do país. Há uma percepção de que a avaliação de Washington desconsiderou os dados técnicos recentes e focou em métricas de gestões passadas.

2. A Intocabilidade do Pix

Um dos principais pontos de atrito reside na classificação do Pix, pelos EUA, como uma “prática de concorrência desleal”. O governo brasileiro foi enfático ao retirar o sistema de pagamentos de qualquer pauta de negociação.

Característica do PixPosicionamento do Ministério da Fazenda
Natureza JurídicaInfraestrutura pública aberta, e não um concorrente privado de mercado.
Impacto EconômicoAlavancou transações em diversos meios de pagamento, fomentando a inclusão digital.
Status de NegociaçãoInegociável. Será integralmente preservado como serviço público essencial à população.

Contexto Político-Eleitoral

Para além das barreiras técnicas, a avaliação de bastidores do governo aponta que a imposição tarifária possui forte viés político doméstico nos Estados Unidos. Durigan lamentou que o debate puramente econômico tenha sido preterido por interesses eleitorais externos, criticando também setores internos que instrumentalizam as dificuldades comerciais do país em busca de vantagens políticas locais, em detrimento dos investimentos privados e do mercado de trabalho nacional.

Fonte: Agência Brasil

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