
Redação – Em um dia marcado pelo encarecimento do petróleo no mercado global, a moeda norte-americana engatou mais um dia de recuo frente ao real, fechando esta terça-feira no menor patamar em mais de 30 dias. Por outro lado, a Bolsa brasileira (Ibovespa) trabalhou sem uma direção definida e encerrou a sessão virtualmente parada, registrando seu quinto pregão consecutivo sem altas expressivas.
Entenda o que movimentou os mercados, os principais motivadores e o impacto nas ações brasileiras.
Por que o dólar caiu?
Duas forças principais sustentaram a valorização da moeda brasileira durante o dia:
- Aceleração das commodities: A escalada do petróleo favorece diretamente países exportadores como o Brasil, injetando capital no mercado local e fortalecendo a moeda interna.
- Atratividade dos juros: A taxa Selic em patamares elevados segue sendo um chamariz para o capital estrangeiro. Esse cenário estimula operações financeiras em que investidores pegam dinheiro emprestado no exterior (com juros baixos) e aplicam no Brasil para rentabilizar na diferença das taxas (carry trade).
Mesmo com um cenário internacional volátil — impactado por rusgas comerciais entre EUA e Canadá e desdobramentos geopolíticos envolvendo EUA e Irã —, o mercado de câmbio por aqui seguiu um rumo firme, garantindo ao real o segundo melhor desempenho do dia entre os países emergentes.
Termômetro do Dia: Os Números do Fechamento
| Indicador | Cotação / Pontuação | Variação do Dia | Desempenho no Ano |
| Dólar Comercial | R$ 5,073 | -0,31% | -7,57% |
| Ibovespa | 173.325 pontos | -0,03% | Sem variação substancial |
| Petróleo Brent | US$ 91,01 / barril | +2,00% | Em alta contínua |
| Petróleo WTI | US$ 84,34 / barril | +2,25% | Em alta contínua |
Petrobras segura o baque, mas Bolsa anda de lado
O Ibovespa flutuou entre o campo positivo e o negativo ao longo de todo o dia, encerrando praticamente empatado. O volume de negociações no pregão ficou abaixo da média do ano (R$ 17,9 bilhões), refletindo uma postura de cautela por parte dos investidores.
O que impediu uma queda maior do índice foi justamente a Petrobras. Pegando carona no salto internacional do petróleo, os papéis da estatal fecharam no verde:
- PETR3 (Ações Ordinárias): +1,43%
- PETR4 (Ações Preferenciais): +1,24%
O desempenho discreto do mercado brasileiro destoou das bolsas de Nova York, que registraram ganhos puxados pelas empresas de tecnologia. Por aqui, a cautela geopolítica falou mais alto.
Tensão no Oriente Médio dispara o barril do petróleo
No cenário internacional, a commodity disparou devido a crescentes preocupações com a oferta global. O estopim para a alta continua sendo a insegurança em rotas marítimas cruciais no Oriente Médio, como o Estreito de Bab-el-Mandeb, somada aos bloqueios e aos atritos militares na região do Golfo Pérsico.
Com o risco de gargalos no transporte marítimo, o mercado continuou embutindo um “prêmio de risco” no preço do barril, mantendo tanto o Brent quanto o WTI em patamares elevados.
