
Redação – O cenário político e administrativo do estado do Amazonas ganha novos contornos com o debate público em torno da eficiência e dos limites operacionais do Sistema de Regulação (Sisreg). A discussão central opõe a viabilidade técnica de eliminar a demanda reprimida por procedimentos médicos à perspectiva da Secretaria de Estado da Saúde, evidenciando diferentes visões sobre planejamento, governança e transparência na saúde pública.
O Contraponto Técnico e Político
A polêmica intensificou-se após manifestações públicas do secretário estadual de Saúde, Luís Alberto Saraiva. Em pronunciamentos recentes, o titular da pasta argumentou que a extinção total da fila do Sisreg é uma meta inexequível, justificando que a natureza do sistema é intrinsecamente dinâmica, marcada pela entrada contínua de novos pacientes. Em contrapartida, o próprio secretário apontou, em outra ocasião, que a demanda específica por exames de tomografia já havia sido zerada na rede estadual.
Essa aparente contradição nos dados e nas declarações oficiais serviu de base para a resposta de Dra. Shádia, candidata a vice-governadora na chapa liderada por David Almeida. Munida de uma trajetória de mais de 17 anos de atuação prática no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a médica rebateu o argumento da inviabilidade operacional.
“Eu tenho mais de 17 anos apenas de SUS. Eu não conheço o sistema só de ouvir falar. O que o secretário está descobrindo apenas agora, eu reafirmo: é possível zerar a fila do Sisreg porque sabemos como fazer e vamos fazer mais.”
— Dra. Shádia
Os Pilares da Proposta: Planejamento e Rastreabilidade
Para a defesa da ex-gestora, a eliminação das filas de espera não constitui uma promessa inalcançável, mas sim o resultado direto de organização estratégica, governança fiscal e controle de processos. A proposta apresentada fundamenta-se em dois eixos principais:
- Eficiência Logística: Otimização dos fluxos de atendimento entre a Atenção Primária, a média e a alta complexidade, reduzindo gargalos históricos na distribuição de vagas para consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas.
- Transparência Ativa: Implementação de um sistema de acompanhamento em tempo real, permitindo que o cidadão visualize de forma clara a sua posição exata na fila de espera, bem como a estimativa temporal para a realização do procedimento médico necessário.
O Histórico de Gestão como Indicador de Desempenho
Como elemento de sustentação para sua viabilidade técnica, o grupo político resgata os indicadores alcançados durante a gestão na Secretaria Municipal de Saúde de Manaus. Sob a liderança administrativa de Shádia, o município registrou uma expansão expressiva na cobertura da Atenção Primária à Saúde, métrica que saltou de aproximadamente 40% para índices superiores a 90%.
Esse marco é frequentemente utilizado pela campanha para contrapor a capacidade de entrega técnica à retórica institucional da oposição governamental. O argumento central sustenta que metas estruturais consideradas complexas ou inviáveis por gestores tradicionais tornam-se exequíveis mediante o rigor de planejamento técnico e a capacidade de execução direta na ponta do sistema.

O Impacto do Sisreg na Estrutura do SUS
O Sisreg desempenha um papel vital na arquitetura do SUS, funcionando como a ferramenta informatizada que gerencia o fluxo de pacientes, desde os postos básicos até os hospitais de referência. No entanto, a alta demanda reprimida e a opacidade nos critérios de agendamento historicamente geram desgaste político e social para as administrações públicas.
A discussão atual no Amazonas reflete um dilema clássico da gestão pública brasileira: o conflito entre o modelo de administração reativo — que lida cotidianamente com o fluxo contínuo de adoecimento da população — e o modelo pró-ativo, focado em metas de zeragem de estoque de pacientes reprimidos através da expansão da capacidade instalada e da auditoria rigorosa de filas.

