
Redação – Um balanço das pesquisas eleitorais divulgadas entre junho e julho traça um retrato dividido do eleitorado na Região Norte do Brasil. O cenário indica uma disputa clara entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): enquanto o candidato da oposição lidera em quatro dos seis estados analisados, o atual chefe do Executivo garante vantagem nos dois maiores colégios eleitorais da região.
Ao todo, o Norte soma 13,1 milhões de eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A dinâmica do voto, no entanto, expõe uma divisão estratégica: a força de Flávio se concentra em áreas com menor contingente votante, enquanto a base de apoio de Lula se apoia onde a densidade demográfica é decisiva.
A Força do Peso Populacional: Pará e Amazonas
Juntos, Pará e Amazonas abrigam mais da metade de todos os eleitores nortistas. É justamente nesses dois territórios que Lula aparece numericamente à frente.
- Pará (6,2 milhões de eleitores): No maior colégio eleitoral da região, o levantamento Genial/Quaest aponta Lula com 38% das intenções de voto no 1º turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de 2º turno, a vantagem de sete pontos se mantém: 44% a 37% a favor do petista.
- Amazonas (2,8 milhões de eleitores): A pesquisa do Instituto Action mostra Lula liderando o 1º turno com 46%, enquanto Flávio registra 37% — uma distância de nove pontos percentuais.
A Vantagem Territorial: Acre e Rondônia
Do outro lado da balança, Flávio Bolsonaro constrói margens folgadas nos estados de perfil mais conservador, garantindo suas maiores vantagens percentuais na região.
- Rondônia (1,6 milhão de eleitores): A sondagem Real Time Big Data indica ampla liderança do senador: 58% a 25% no 1º turno. No cenário de 2º turno, a margem se amplia para 66% contra 24% de Lula.
- Acre (614,3 mil eleitores): Também segundo o Real Time Big Data, Flávio soma 50% das intenções no 1º turno, ante 30% do atual presidente. Em uma eventual disputa direta no 2º turno, o placar vai a 57% contra 34%.
Zona de Afrontamento: Amapá e Tocantins
O equilíbrio é a marca registrada nos outros dois estados analisados, onde as projeções indicam cenários de igualdade técnica ou margens mínimas.
- Tocantins (1,1 milhão de eleitores): A disputa é a mais acirrada do Norte. O Real Time Big Data registrou empate rigoroso no 1º turno, com 37% para cada pré-candidato. No 2º turno, a oscilação é mínima: Flávio aparece com 41% e Lula com 40%.
- Amapá (577,5 mil eleitores): O levantamento do Real Time Big Data mostra Lula à frente no 1º turno com 36% contra 31%. Contudo, no 2º turno, o cenário se inverte dentro do limite da margem de erro: Flávio vai a 44% e Lula marca 42%.
(Nota: O estado de Roraima não entrou no comparativo por falta de pesquisas recentes publicadas nos últimos dois meses).
O Que os Números Revelam?
O panorama político no Norte do país reflete um cabo de guerra matemático: volume de votos versus distribuição geográfica.
Flávio Bolsonaro consolida uma presença forte no interior e em estados com forte apelo ao agronegócio e ao conservadorismo. Já Lula sustenta seu desempenho ancorado nos grandes centros urbanos e no peso numérico do Pará e do Amazonas. O resultado é um eleitorado profundamente fragmentado, onde cada ponto percentual nos estados menores pode ser decisivo para compensar a vantagem do adversário nos grandes centros.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

