Neblina de fumaça e tempo seco colocam Manaus no topo de ranking de poluição no país

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Foto: Manaus tem a pior qualidade do ar do Brasil na manhã desta quinta-feira (8). (Manu Passos/Rede Amazônica)

Redação – Nesta quinta-feira (8), os moradores de Manaus enfrentaram uma manhã atípica e desafiadora. A capital amazonense amanheceu sob uma espessa camada de fumaça que reduziu a visibilidade e espalhou um forte odor de queimado por diversas zonas da cidade, um cenário impulsionado tanto por fatores climáticos regionais quanto por um incêndio de grande proporção em uma área de descarte na Zona Leste.

Por volta das 6h30, plataformas de monitoramento internacional, como o IQAir, colocaram Manaus na primeira posição entre as cidades brasileiras com o ar mais poluído do momento. Paralelamente, dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), classificaram a qualidade do ar como “péssima”.

O impacto foi sentido com maior intensidade em bairros como Morro da Liberdade e Educandos, onde as estações registraram concentrações de partículas poluentes de até $211$ microgramas por metro cúbico ($\mu g/m^3$). Para efeito de comparação, o padrão técnico do Selva define como “boa” uma concentração entre 0 e $25$ $\mu g/m^3$, evidenciando o distanciamento drástico dos parâmetros saudáveis de respiração.

O fator local e o contexto ambiental

O agravamento severo da poluição nesta manhã está diretamente ligado a um incêndio de grande proporção que atinge um terreno de descarte privado — pertencente ao Auto Posto Lima — no Distrito Industrial 2.

Iniciado na tarde da última terça-feira (6), o fogo já havia consumido mais de 15 mil metros quadrados até a noite de quarta-feira (7). De acordo com o Corpo de Bombeiros, as equipes têm enfrentado dificuldades para combater focos subterrâneos e persistentes em meio ao material acumulado. O vento forte na região acelerou a propagação inicial das chamas, que ameaçaram o entorno industrial a ponto de funcionários de fábricas vizinhas precisarem ser dispensados por razões de segurança.

Para conter o avanço do fogo, as operações de resfriamento com água foram complementadas pelo uso de caminhões para despejar camadas de barro, abafando os focos mais intensos.

Esse incidente local ocorre em um momento desfavorável do ponto de vista meteorológico. Manaus já vinha sofrendo com os reflexos do período de tempo seco e de queimadas registradas em outras zonas do estado. Com a ausência de previsão de chuvas significativas para os próximos dias, a dispersão dos poluentes na atmosfera torna-se ainda mais lenta, prolongando a exposição da população ao ar denso.

Desdobramentos e responsabilização

Diante da gravidade da ocorrência, os órgãos de controle começaram a agir. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) realizou uma fiscalização na área afetada e aplicou uma multa de R$ 5,555 milhões à empresa responsável pelo terreno.

Em nota enviada à imprensa, o Auto Posto Lima declarou que as causas e a origem do incêndio continuam sob investigação oficial e afirmou estar prestando total cooperação aos órgãos fiscalizadores para esclarecer o ocorrido. Enquanto a investigação avança e o Corpo de Bombeiros tenta extinguir os últimos focos no lixão, a recomendação para os cidadãos é redobrar os cuidados com a saúde e evitar a exposição prolongada ao ar poluído nas áreas mais críticas da capital.

Fonte: G1 Amazonas

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