Fumaça e Fogo no Amazonas: Mais da Metade dos Municípios em Emergência e Rotina Paralisada

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Foto: Incêndio de grandes proporções na região do Rio Urubu, na zona rural de Itacoatiara, interior do Amazonas. (Liam Cavalcante/Rede Amazônica).

Redação – A intensificação das queimadas no Amazonas levou 36 dos 62 municípios do estado a decretarem situação de emergência, reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. O avanço simultâneo do fogo e da densa camada de fumaça tem alterado drasticamente a rotina de centenas de milhares de pessoas, paralisando aulas, suspendendo atividades ao ar livre e pressionando o sistema de saúde em plena Região Metropolitana e no interior.

Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que os primeiros dez dias de outubro registraram 1.380 focos de incêndio no estado, um crescimento de 271% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Impactos Diretos na Educação e na Saúde

A qualidade do ar na capital e em municípios vizinhos tem atingido níveis críticos, levando autoridades estaduais e municipais a adotarem medidas severas de proteção:

  • Suspensão de Aulas: Redes municipais, estaduais (incluindo escolas de Autazes e do distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) suspenderam atividades presenciais para evitar a exposição de estudantes e profissionais à fumaça.
  • Recomendações Médicas: A Fundação de Vigilância em Saúde orienta o fechamento de ambientes internos, a vedação de imóveis e a interrupção de exercícios físicos ao ar livre.
  • Atendimentos de Urgência: Hospitais em Manaus registraram dezenas de buscas por socorro médico devido a crises respiratórias, irritação na garganta e dores de cabeça agravadas pela poluição atmosférica.
  • Esportes e Lazer: A Federação Amazonense de Futebol (FAF) interrompeu competições de base para preservar a integridade física de atletas e equipes técnicas.

Operação de Combate e Indícios de Ação Humana

Durante sobrevoos de monitoramento, autoridades federais — incluindo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima — constataram focos ativos dentro de áreas de mata nativa preservada e regiões isoladas. As investigações preliminares indicam uso intencional do fogo para degradação ambiental e abertura de áreas, com casos sob apuração em municípios como Itacoatiara, onde suspeitos já foram identificados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e encaminhados aos órgãos competentes.

Para conter o avanço das chamas, o governo federal estruturou uma força-tarefa que integra 290 brigadistas do Ibama, ICMBio e da Força Nacional, além de 11 aeronaves. O aparato conta com aviões Air Tractor, helicópteros de apoio logístico e o cargueiro KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB), capaz de realizar lançamentos de grande volume de água. O estado de São Paulo também enviou especialistas, drones e agentes de defesa civil para somar esforços.

Economia e Desabastecimento no Interior

Além dos danos ambientais à vegetação — como os registros expressivos na zona rural de Itacoatiara —, os impactos econômicos começam a repercutir no dia a dia das comunidades locais. Em Parintins, a destruição de lavouras e plantações provocou desabastecimento de produtos agrícolas e alta expressiva nos preços de derivados da mandioca, como a farinha.

As autoridades reforçam que o monitoramento continua diário, enquanto campanhas de orientação pública via canais oficiais de mensagem buscam conscientizar a população sobre os cuidados essenciais com a hidratação e a proteção respiratória durante o período crítico.

Diante desse cenário complexo que afeta a segurança, a saúde pública e o meio ambiente na região, qual aspecto desta crise — seja o impacto logístico e de combate ao fogo, ou os reflexos diretos na economia local e no cotidiano — você gostaria de aprofundar?

Fonte: G1 Amazonas

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