
Redação – A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Gatekeeper, resultando na prisão de duas pessoas e no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. A investigação apura a atuação de uma rede criminosa especializada no envio de entorpecentes a partir do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e na ocultação de capitais por meio de plataformas de apostas online (bets) e contas digitais.
O Esquema Logístico e a Primeira Fase
As investigações tiveram início em março de 2025, quando a primeira etapa da operação revelou como o grupo operava dentro do terminal aeroportuário. Na ocasião, câmeras de segurança flagraram um servidor da própria Polícia Federal inserindo mochilas com drogas em áreas restritas de embarque. O material ilícito era repassado a “mulas” (passageiros contratados pelo esquema) nos banheiros do aeroporto.
A primeira fase culminou na prisão do servidor público e de outros três suspeitos, além da documentação de ao menos 13 remessas que totalizaram aproximadamente 150 kg de maconha enviados para outros estados. O policial envolvido já foi condenado pela Justiça.
Núcleo Financeiro: O Uso de Bets e Fintechs
Nesta nova etapa, o foco das autoridades recaiu sobre a rede de apoio financeiro e novos intermediários identificados na rota do tráfico.
Segundo a PF, a organização movimentou dezenas de milhões de reais de forma incompatível com a renda declarada dos envolvidos. O mecanismo de lavagem de dinheiro utilizava intensivamente:
- Plataformas de apostas esportivas (bets)
- Contas em fintechs e de mesma titularidade
- Saques em espécie e empresas de fachada
- Conversão de valores em veículos de luxo
Surpreendentemente, os relatórios apontam que esse fluxo financeiro permaneceu ativo entre agosto de 2025 e março de 2026, mesmo após o baque sofrido com as prisões da primeira fase da operação.
Medidas Cautelares e Possíveis Penas
A Justiça Federal determinou ações severas para descapitalizar o grupo, incluindo:
- O sequestro de oito veículos
- O bloqueio de até R$ 31 milhões nas contas dos investigados
- A quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de 15 pessoas físicas e jurídicas
Os suspeitos presos e os demais investigados poderão responder perante a Justiça por tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas podem ser ampliadas devido aos agravantes de transporte interestadual e participação de agente público, podendo ultrapassar 30 anos de reclusão no total.

Fonte: G1 Amazonas
