
Redação – Um levantamento detalhado do projeto Amazônia 2030 acende um alerta vermelho para a segurança pública no Amazonas. O estudo, intitulado “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína”, revela que a interiorização da violência no estado é o resultado direto da expansão de facções criminosas que disputam o controle de rotas logísticas e territórios estratégicos para o crime organizado.
A Quebra do Padrão Histórico
Historicamente, as cidades do interior amazonense eram consideradas mais seguras quando comparadas a municípios de porte semelhante em outras regiões do Brasil. Entre os anos de 1999 e 2023, o estado chegou a registrar 430 homicídios a menos do que a média esperada para o perfil de suas cidades.
Entretanto, esse cenário de relativa tranquilidade foi rompido em 2018. Desde então, o Amazonas inverteu a curva e passou a apresentar números de criminalidade acima das projeções estatísticas, acompanhando a degradação da segurança observada em toda a Amazônia Legal.
O Combo do Crime: Drogas e Extração Ilegal
A pesquisa aponta que a letalidade não está isolada apenas ao tráfico de entorpecentes. Ela é potencializada por um “ecossistema criminal” onde diferentes atividades ilícitas se sobrepõem:
- Garimpo clandestino e extração de madeira: Disputas por recursos naturais geram conflitos armados.
- Grilagem de terras: A invasão de áreas públicas e territórios protegidos fomenta a violência no campo.
- Logística do Tráfico: A utilização de rios para o escoamento de cocaína transformou comunidades ribeirinhas em pontos de tensão.
Destaque do Relatório: Municípios que concentram três ou quatro fatores de risco (como tráfico, garimpo e grilagem simultaneamente) apresentam um crescimento muito mais acelerado na taxa de homicídios do que cidades sem essas ocorrências.
Zonas de Maior Vulnerabilidade
O estudo identifica cidades específicas onde o risco acumulado é crítico. Entre as localidades que exigem atenção urgente das autoridades, destacam-se:
- Lábrea
- São Gabriel da Cachoeira
- Japurá
- Barcelos
- Canutama
Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) não se manifestou sobre o desenvolvimento de estratégias específicas para proteger as populações dessas áreas vulneráveis ou sobre o reforço do policiamento nas calhas dos rios afetados pela influência das facções.
Fonte: G1 Amazonas
