Aliança Transnacional: Dissidentes das Farc e Facções Brasileiras Unem Forças na Amazônia

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Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Redação – Uma cooperação perigosa entre ex-guerrilheiros colombianos e o crime organizado do Brasil foi confirmada pelas autoridades militares durante a Operação Ágata. A ofensiva, que mobiliza forças do Brasil, Colômbia e Peru desde abril, revelou como o submundo do crime ignorou fronteiras para consolidar um domínio predatório sobre a floresta.

O Eixo do Crime: Narcotráfico e Destruição Ambiental

Segundo o coronel colombiano Rodriguez Contreras Carlos, grupos dissidentes das Farc que rejeitaram o acordo de paz de 2016 — especificamente as frentes “Carolina Ramírez” e os “Comandos de Fronteira” — estabeleceram parcerias logísticas com as maiores facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho.

Essa simbiose criminosa não se limita mais apenas ao transporte de drogas. A aliança agora foca em um “portfólio” diversificado de crimes:

  • Extração de Madeira e Garimpo Ilegal: Pilares de sustentação financeira que alimentam o caixa das organizações.
  • Lavagem de Dinheiro: O ouro extraído ilegalmente tornou-se a “moeda de troca” predileta para a compra de pasta-base de cocaína.
  • Ocupação Territorial: O uso de áreas de garimpo como refúgio para foragidos e bases operacionais.

“Essas estruturas já ultrapassaram os limites geográficos. Eles operam uma rede transnacional que explora recursos naturais de forma agressiva”, alertou o coronel Contreras.


A Nova Dinâmica da Violência na Região

Dados do estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025 corroboram a gravidade do cenário. O relatório aponta uma mudança de paradigma: o crime na Amazônia deixou de ser apenas uma disputa por rotas e passou a ser um controle total da cadeia produtiva.

Fator de MudançaDescrição da Nova Realidade
Rotas FluviaisO Rio Solimões e seus afluentes agora servem para o escoamento tanto de drogas quanto de produtos de crimes ambientais.
Integração EconômicaOrganizações criminosas reinvestem o lucro do tráfico no garimpo para legalizar ativos (lavagem de dinheiro).
TecnologiaUso intensivo de drones, armamentos pesados e veículos blindados para proteger as operações ilícitas.

Resposta Integrada e Evolução Tecnológica

Para o Almirante de Esquadra Paulo César Bittencourt Ferreira, do Ministério da Defesa, o Estado precisa ser mais ágil que o crime. Ele defende que a resposta militar deve ser pautada por três pilares: inteligência compartilhada, tecnologia de ponta e presença ostensiva.

O enfrentamento agora exige um intercâmbio constante de informações entre os exércitos dos países vizinhos, visando anular a vantagem logística que as facções conquistaram ao se esconderem na densidade da selva e na complexidade das fronteiras.

“A criminalidade evoluiu tecnologicamente. Para combatê-la na imensidão amazônica, nossa resposta precisa ser igualmente moderna, com equipamentos em quantidade e pessoal altamente capacitado”, concluiu o Almirante.

Fonte: G1 Amazonas

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