Planejamento Estratégico para a BR-319: Governo Federal Anuncia Medidas de Fiscalização e Gestão Ambiental

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Foto: Divulgação/Dnit

Redação – O Governo Federal estruturou um novo plano de governança socioambiental voltado para a área de influência da BR-319, rodovia que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO). O conjunto de diretrizes surge em paralelo aos preparativos para as intervenções no chamado “trecho do meio”, segmento logisticamente complexo da estrada.

O cronograma de ações foi detalhado pela Infra S.A. — estatal responsável pelo planejamento de transportes — e envolve os ministérios dos Transportes, do Meio Ambiente e a Casa Civil, com metas estipuladas até 2028. O raio de atuação do plano abrange um limite de 50 quilômetros de largura em ambos os lados da pista.

1. Ampliação Territorial e Monitoramento Ambiental

O plano estabelece uma expansão significativa das áreas sob proteção legal na região do entorno da rodovia:

  • Unidades de Conservação: A área protegida será ampliada de 85 mil para 121 mil quilômetros quadrados.
  • Territórios Indígenas: As terras homologadas ou reconhecidas passarão de 27 mil para 50 mil quilômetros quadrados.

Estrutura de Fiscalização Integrada

Para mitigar crimes ambientais e ordenar a ocupação do solo, serão construídos três portais de fiscalização nos municípios de Humaitá, Manicoré e Careiro.

Em Humaitá, será instalada uma sede multiagência, servindo de base operacional conjunta para órgãos de diferentes esferas (federal, estadual e municipal), incluindo:

  • Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF);
  • Ibama e Instituto Chico Mendes (ICMBio);
  • Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

2. Regularização Fundiária e Incentivo à Economia Sustentável

O Ministério do Meio Ambiente prevê a análise minuciosa de mais de 20 mil registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR). De acordo com a pasta, a prioridade inicial de auditoria será direcionada aos imóveis rurais de grande porte e aos casos que apresentem sobreposição com terras públicas da União.

Como contrapartida ao rigor na fiscalização, o governo planeja fomentar a economia verde local através de:

  • Apoio ao manejo florestal sustentável;
  • Fortalecimento de cadeias de bioeconomia (como açaí, castanha e pirarucu);
  • Recuperação de áreas degradadas por meio de viveiros e plantios nativos.

3. Modelo de Manutenção: PPP Sem Cobrança de Pedágio

No aspecto de infraestrutura, o modelo de gestão adotado para a conservação da pista será uma Parceria Público-Privada (PPP) na modalidade administrativa.

AspectoDetalhes do Modelo
Duração do ContratoInicial de 20 anos, renovável por mais 15 anos.
Custos de OperaçãoFinanciados integralmente pelo Governo Federal.
Tarifa ao UsuárioIsenta. Não haverá instalação de praças de pedágio.
DiferencialO consórcio vencedor será responsável não apenas pelo asfalto, mas pelo monitoramento contínuo e suporte logístico na via.

Contexto Jurídico: A apresentação das medidas ocorre após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) suspender uma liminar que interrompia a licitação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Com a decisão judicial favorável, o processo licitatório para a melhoria do pavimento foi retomado.

Fonte: G1 Amazonas

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