
Redação – Após uma rebelião escancarar a crise estrutural e a falta de segurança na 69ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Guajará, no interior do Amazonas, o Poder Judiciário interveio e ordenou a transferência imediata de 14 detentos. Desse total, dez homens já foram transferidos para a capital, Manaus, no início desta semana.
A medida liminar atende a um requerimento do Ministério Público do Amazonas (MPAM). O órgão revelou um cenário crítico: a delegacia, que conta com apenas duas celas, abrigava 45 presos no momento do motim — ocorrido no último dia 12 de junho.
Rastro de Destruição e Riscos de Fuga
Uma vistoria minuciosa realizada pelo MP logo após o controle do motim constatou danos severos na estrutura do prédio. Os detentos destruíram celas, paredes e a cobertura do corredor. Além disso, provocaram de forma deliberada um curto-circuito que cortou a energia e o sinal de internet da delegacia.
O relatório do órgão aponta ainda que:
- Imagens anexadas ao processo mostram presos tentando alcançar o telhado para fugir.
- Integrantes de uma facção criminosa comandavam ações de dentro do local.
- Havia entrada ilegal de aparelhos celulares e ameaças frequentes contra guardas municipais.
Histórico de Omissão: A transferência desse grupo já havia sido ordenada pela Justiça em maio. No entanto, o Estado não cumpriu a ordem na época, sob a justificativa da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) de que não havia vagas disponíveis nos presídios de Manaus.
Multa Diária e Perigo Imediato
Diante da gravidade, o juiz David Nicollas Vieira Lins estipulou uma multa diária de R$ 5 mil aos órgãos responsáveis caso a nova determinação de transferência seja descumprida.
O motim do dia 12 de junho mobilizou cerca de 20 detentos das duas celas da DIP, a maioria ligada à facção Comando Vermelho (CV). A polícia local alertou que a permanência dessas lideranças em Guajará colocava em risco iminente a vida dos servidores públicos, dos próprios presos e de toda a população do município.
Fonte: G1 Amazonas
