
Redação – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou novas projeções sobre o comportamento do Rio Negro para o período de estiagem. Com base em dados históricos coletados entre 1903 e 2025, a análise cruza o pico da última cheia com padrões anteriores de descida para mapear os potenciais impactos nos próximos meses.
O monitoramento acendeu um sinal de alerta porque o ritmo inicial de descida do rio assemelha-se ao patamar observado no início da seca de 2023. Apesar da semelhança gráfica, o órgão ressalta que os modelos climáticos atuais ainda não confirmam a repetição de uma crise ambiental extrema.
Os três cenários previstos
Para orientar o planejamento e a gestão de recursos hídricos, os pesquisadores desenharam três caminhos possíveis para o nível do Rio Negro em Manaus:
- Cenário de Crise Extrema (12,90 metros): Uma retração severa que aproximaria o rio dos recordes históricos mais baixos, como os de 2024 ($12,66\text{ m}$) e 2023 ($12,70\text{ m}$).
- Cenário de Estiagem Acentuada (13,96 metros): Um recuo considerável, alinhado a anos de seca forte, como o registrado em 2010 ($13,63\text{ m}$).
- Cenário Moderado/Crítico (14,76 metros): Uma vazante que repete o comportamento de 2015, período em que o sistema hidrográfico enfrentou dificuldades, mas sem atingir os níveis mais baixos da década.
O fator climático: A dinâmica do El Niño
A velocidade da descida das águas é a principal preocupação dos especialistas. De acordo com o pesquisador Renato Senna, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o principal elemento a ser monitorado é o aquecimento anômalo do Oceano Pacífico Equatorial — o fenômeno El Niño.
“O início do El Niño no segundo semestre pode acelerar o ritmo de descida dos rios de forma muito acentuada. Esse declínio rápido é o que exige maior atenção”, explica Senna.
Caso o fenômeno se consolide nos próximos meses, a consequente redução de chuvas na bacia amazônica pode intensificar o processo natural de vazante, transformando a transição sazonal em um desafio logístico e ambiental para a região.
Fonte: G1 Amazonas
