Cenário Crítico: Fumaça de Queimadas Afeta a Qualidade do Ar em Nove Municípios do Interior do Amazonas

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Foto: Fumaça deixou horizonte de Parintins acinzentado nesta segunda-feira (2). (Karen Mattos/Rede Amazônica)

Redação – A combinação entre o período de forte estiagem e o avanço de focos de queimadas voltou a impactar de maneira expressiva as condições atmosféricas no interior do Amazonas. Na manhã desta segunda-feira, feriado de Finados, moradores de nove municípios registraram índices de qualidade do ar classificados como “muito ruins” ou “péssimos”, com os maiores níveis de concentração de poluentes concentrados na Região Leste do estado, em áreas próximas à divisa com o Pará.

De acordo com as medições do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a situação mais crítica foi observada em Parintins. Na localidade rural da Vila Amazônia, os instrumentos registraram uma concentração de partículas finas (PM2.5) de 243,2 µg/m³ por volta das 9h. Na zona urbana central do município, o patamar medido no mesmo horário alcançou 193,9 µg/m³. Em ambos os casos, o cenário atmosférico enquadra-se na faixa de qualidade péssima.

Para contextualizar os parâmetros técnicos do sistema Selva, a qualidade do ar é considerada ideal e segura quando a concentração de micropartículas flutua na faixa de 0 a 25 µg/m³. Acima desse intervalo, os índices sofrem gradações progressivas que vão de moderados a críticos.

Panorama Detalhado por Municípios no Leste Amazonense

O impacto da poluição atmosférica não se restringiu a Parintins, estendendo-se por diversas cidades vizinhas que também reportaram alta densidade de fumaça:

  • Barreirinha: Concentração de PM2.5 em 128,5 µg/m³ (Qualidade péssima).
  • Silves: Concentração de 135,2 µg/m³ (Qualidade péssima).
  • Itapiranga: Índice de 137,8 µg/m³ (Qualidade péssima).
  • Itacoatiara: Registro de 122,5 µg/m³ (Qualidade muito ruim).
  • Maués: Índice de 107 µg/m³ (Qualidade muito ruim).
  • Boa Vista do Ramos: Concentração de 101,9 µg/m³ (Qualidade muito ruim).
  • Urucurituba: Medição de 78,7 µg/m³ (Qualidade muito ruim).
  • São Sebastião do Uatumã: Índice de 76,2 µg/m³ (Qualidade muito ruim).

Contrariando o panorama regional desfavorável, o município de Urucará despontou como uma exceção positiva no período. Os sensores locais apontaram um índice de apenas 7,1 µg/m³, mantendo a atmosfera em condições estritamente boas para a população.

Situação Atmosférica na Capital

Na cidade de Manaus, a atmosfera manteve-se predominantemente estável e dentro de parâmetros moderados no mesmo horário de referência. Apenas um dos doze sensores de monitoramento distribuídos pela capital — localizado no complexo do Distrito Industrial I, na Zona Leste — apresentou leitura em patamar considerado ruim.

Nos demais pontos de checagem espalhados pelas zonas urbanas manauaras, as concentrações oscilaram entre 41 µg/m³ e 49,3 µg/m³, mantendo-se na faixa classificada como moderada.

Contexto de Estiagem e Resposta Institucional

A atual degradação da qualidade do ar ocorre em meio a um cenário hidrometeorológico severo que afeta o estado. Dados oficiais consolidados até o início de novembro apontam que 47 municípios amazonenses encontram-se em situação oficial de emergência, enquanto outros 15 permanecem sob decreto de alerta devido aos impactos prolongados da estiagem. Estima-se que cerca de 146.425 famílias já tenham sofrido algum tipo de impacto decorrente do fenômeno climático em todo o território estadual.

Os boletins operacionais da Defesa Civil destacam que os maiores reflexos na pureza do ar concentram-se em localidades como Autazes, Barreirinha, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manaus, Maués, Nova Olinda do Norte, São Sebastião do Uatumã, Silves e Urucurituba.

Para mitigar os riscos associados às queimadas e à escassez hídrica, o governo do estado mantém uma força-tarefa em articulação com o governo federal. As ações no terreno envolvem:

  • Um contingente operacional de cerca de 1.500 profissionais, integrando bombeiros militares e brigadistas especializados.
  • Uma frota logística de 18 aeronaves de apoio tático e combate direto a incêndios — sendo 16 cedidas pela união e 2 operadas pelo estado —, composta por oito aviões Air Tractor, dois cargueiros KC-390 e oito helicópteros.
  • A contratação complementar de 153 brigadistas florestais por meio do programa estadual Floresta em Pé, voltados ao fortalecimento da fiscalização ambiental, monitoramento preventivo de focos de calor e distribuição de suporte logístico aos municípios afetados.

Como medidas de caráter regulatório e preventivo, o Executivo estadual estabeleceu a proibição formal do uso de fogo por um período de 120 dias em toda a extensão territorial do Amazonas, ressalvadas apenas as exceções estipuladas em lei, além da renovação do decreto de emergência por 180 dias voltado ao enfrentamento sistemático de incêndios florestais e dos reflexos da seca severa.

Fonte: G1 Amazonas

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