
Redação – Associações que representam a magistratura e o Ministério Público entraram com um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para postergar o cumprimento das novas regras que limitam os chamados “penduricalhos”. O pleito das entidades é por uma carência de 30 dias antes que as restrições financeiras entrem em vigor.
O entrave na implementação
A movimentação, liderada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), alega que os tribunais enfrentam barreiras operacionais para aplicar o acórdão de imediato. Entre os argumentos centrais estão:
- Falta de publicação oficial: O acórdão detalhado do julgamento ainda não foi publicado.
- Segurança jurídica: A AMB defende que o prazo de adequação só deve começar a contar após o julgamento de possíveis recursos.
- Risco de erros: A entidade afirma que a pressa na aplicação pode gerar interpretações equivocadas e ferir direitos individuais dos magistrados.
Entenda o que muda com a decisão do STF
No final de março, o Supremo estabeleceu, de forma unânime, um freio nas verbas indenizatórias e gratificações. Ficou definido que a soma desses benefícios não pode ultrapassar 35% do subsídio mensal de um ministro da Corte.
Atualmente, o teto constitucional é de R$ 46,3 mil. Com a nova regra, o teto para os extras fica limitado a aproximadamente R$ 16,2 mil.
Na prática: Embora a decisão imponha um limite, ela acaba por institucionalizar vencimentos que superam o teto oficial. Somando o salário base aos benefícios permitidos, a remuneração bruta de juízes e promotores pode atingir R$ 62,5 mil.
Impacto no topo da carreira
Para magistrados com maior tempo de serviço, o valor final pode ser ainda mais expressivo. Ao incluir o Adicional por Tempo de Serviço (ATS) — também limitado à régua dos 35% —, os rendimentos mensais podem chegar ao patamar de R$ 78,8 mil.
A decisão original do STF previa aplicação imediata pelas administrações do Judiciário e do MP, ordem que agora é alvo de contestação pelas categorias afetadas.
Fonte: Agência Brasil
