
Redação – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu sinal verde para a abertura de uma investigação formal contra o deputado federal Adail Filho (MDB-AM). O parlamentar é suspeito de envolvimento em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, em um desdobramento de um caso que começou com uma apreensão milionária de dinheiro em espécie no ano passado.

O estopim: R$ 1,2 milhão em malas
A investigação tem como base um evento ocorrido em 20 de maio de 2025, quando três empresários amazonenses: Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho — foram detidos pela Polícia Federal ao desembarcarem no Aeroporto de Brasília. Na ocasião, o grupo transportava R$ 1,2 milhão em notas vivas.
Embora os empresários tenham alegado que o montante seria usado para comprar insumos em Goiás, o avanço das apurações da PF revelou conexões diretas entre o trio, o deputado Adail Filho e seu pai, Adail Pinheiro, atual prefeito de Coari.
Indícios de fraude e emendas parlamentares
Segundo dados compartilhados pela Polícia Federal e repercutidos inicialmente pela coluna Radar, da Veja, o esquema sob suspeita envolve:
- Desvio de Recursos Públicos: Indícios de fraude em licitações no município de Coari.
- Malha de Contratos: Cerca de R$ 6 milhões em contratos da prefeitura local estariam sob suspeita de irregularidades.
- Emendas Parlamentares: Transações financeiras atípicas envolvendo o repasse de verbas federais destinadas à região.
Um exemplo citado nas investigações é a empresa Comercial C-J Comercio de Produtos Alimentícios, de propriedade de Cesar Albuquerque, que venceu pregões para o fornecimento de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para a Secretaria de Saúde de Coari em 2025.
O outro lado
Em declarações anteriores, Adail Filho refutou veementemente qualquer ligação societária com os empresários presos ou o recebimento de valores ilícitos. O deputado justificou que o auxílio prestado a Vagner Moitinho como o uso de motorista e gabinete foi um ato de “apoio político” comum a aliados, realizado a pedido de um vereador de Presidente Figueiredo.
O parlamentar reforça que suas atividades empresariais são lícitas e registradas em seu nome, sem vínculos comerciais com os investigados.
Atualização: Até o momento, o deputado Adail Filho não se manifestou especificamente sobre a decisão de Alexandre de Moraes de abrir o inquérito nesta sexta-feira, 24.
Fonte: Agência Cenarium
