
Redação – As discussões sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 (seis dias de serviço por um de descanso) ganharam um novo capítulo na Câmara dos Deputados. Uma emenda apresentada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR) propõe adiar a extinção definitiva desse modelo para 2036, estabelecendo um prazo de transição de dez anos.
O texto, que já soma o apoio de 174 parlamentares, conta com a assinatura de quatro deputados da região Norte: Alberto Neto (PL-AM), Fausto Júnior (União-AM), Henderson Pinto (União-PA) e Joaquim Passarinho (PL-PA). No total, a bancada da Amazônia registrou 27 assinaturas favoráveis à medida (veja a lista completa ao final).

O cenário das PECs e o relatório final
Atualmente, uma Comissão Especial analisa duas Propostas de Emenda à Constituição: a PEC 221/2019 (de Reginaldo Lopes, PT-MG) e a PEC 08/2025 (de Érika Hilton, Psol-SP). Embora os textos originais sugiram uma redução drástica de 44 para 36 horas semanais, os bastidores do Congresso indicam um consenso político para fixar a carga horária em 40 horas semanais.

O cronograma em Brasília está acelerado:
- Relatório: O deputado Leo Prates (Republicanos-BA) deve apresentar seu parecer nesta quarta-feira, 20.
- Votação: O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), planeja pautar e votar o texto ainda neste mês de maio antes de enviá-lo ao Senado.
O que prevê a emenda de transição (Medeiros)?
A proposta liderada por Tião Medeiros cria barreiras para uma mudança abrupta no mercado de trabalho. Além da transição de uma década, o texto estabelece:
- Serviços Essenciais: Manutenção da jornada de 44 horas para setores estratégicos (como saúde, segurança, transporte, alimentação, energia e agropecuária).
- Regulamentação: A mudança para 40 horas ficaria condicionada à aprovação de uma Lei Complementar posterior.
- Negociação Coletiva: Defesa de que os acordos entre sindicatos e empresas prevaleçam para garantir a sustentabilidade econômica.
Em nota, o deputado Fausto Júnior (União-AM) defendeu o voto, afirmando que apoia o fim da escala 6×1, mas desde que ocorra com responsabilidade. “Meu apoio busca garantir um debate democrático, segurança jurídica e a proteção de setores essenciais da economia, especialmente em estados como o Amazonas, que possui desafios logísticos e econômicos próprios”, justificou. Os demais deputados do AM e PA foram procurados, mas não se manifestaram.
A base de apoio dessa emenda é formada majoritariamente pelo PL (59 assinaturas), PP (30), União Brasil (23) e Republicanos (16).
Segunda emenda propõe “pacote de bondades” para empresas
Uma outra emenda (Emenda 01), de autoria do deputado Sérgio Turra (PP-RS), também prevê a transição de 10 anos, mas foca em contrapartidas fiscais robustas para os empregadores compensarem a perda de horas trabalhadas. Alberto Neto foi o único dos quatro deputados citados do AM e PA que não assinou este texto.
As propostas de Turra incluem:
- Reduzir a alíquota do FGTS paga pelo empregador de 8% para 4%.
- Isenção total da cota patronal do INSS (20%) para novas contratações.
- Dedução em dobro de gastos com novos funcionários no IRPJ e CSLL para grandes empresas (e crédito tributário no Simples Nacional para microempresas).
- Condicionar a nova jornada ao atingimento de metas nacionais de produtividade.
Em contrapartida, um acordo recente costurado entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o Governo Federal sinaliza que a redução para 40 horas sem corte salarial deve ir para a Constituição, enquanto pontos específicos serão regulamentados pelo Projeto de Lei 1838/26, enviado pelo presidente Lula.
Lista: Deputados da Amazônia Legal que assinaram a Emenda de Tião Medeiros (Transição até 2036)
Acre (AC)
- Zezinho Barbary (PP)
- Zé Adriano (PP)
- Roberto Duarte (Republicanos)
- Meire Serafim (União Brasil)
Amapá (AP)
- Aline Gurgel (União Brasil)
Amazonas (AM)
- Alberto Neto (PL)
- Fausto Jr. (União Brasil)
Maranhão (MA)
- Aluisio Mendes (Republicanos)
- Márcio Honaiser (Solidariedade)
- Josivaldo JP (União Brasil)
- Hildo Rocha (MDB)
Mato Grosso (MT)
- Rodrigo da Zaeli (PL)
- José Medeiros (PL)
- Coronel Fernanda (PL)
- Nelson Barbudo (Podemos)
- Juarez Costa (Republicanos)
Pará (PA)
- Joaquim Passarinho (PL)
- Henderson Pinto (União Brasil)
Rondônia (RO)
- Lucio Mosquini (PL)
- Coronel Chrisóstomo (PL)
- Dr. Fernando Máximo (PL)
- Thiago Flores (União Brasil)
Roraima (RR)
- Nicoletti (PL)
- Pastor Diniz (União Brasil)
Tocantins (TO)
Eli Borges (Republicanos)
Alexandre Guimarães (MDB)
Filipe Martins (PL)
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

