
Redação – Diante do alerta vermelho acendido pela ciência, o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu cobrar respostas rápidas do Poder Executivo. O ministro Flávio Dino estabeleceu um prazo de 10 dias para que o governo federal e os estados que compõem a Amazônia Legal apresentem suas estratégias de prevenção e resposta rápida contra a iminente onda de incêndios florestais prevista para este ano.
A cobrança do ministro baseia-se em relatórios técnicos recentes do Inpe e do Inmet. Os órgãos confirmaram que o fenômeno El Niño — caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico — deve atingir sua força máxima a partir do segundo semestre de 2026. O resultado prático disso é um cenário de seca severa prolongada, temperaturas escaldantes e baixa umidade na Região Norte, combinando os ingredientes ideais para o alastramento do fogo.
O fantasma de 2015 e o déficit de pessoal
A preocupação do STF não é teórica, mas baseada em dados históricos. Durante o super El Niño de 2015, a Amazônia viu o número de queimadas saltar 36% acima da média histórica.
Além do clima desfavorável, há um gargalo operacional que preocupa as autoridades. Em reuniões recentes com a Procuradoria-Geral da República (PGR), foi apontada uma vulnerabilidade crítica: a falta de braço técnico e de meteorologistas no Cemaden (órgão federal responsável por monitorar desastres naturais), o que pode atrasar a emissão de alertas cruciais.
O papel do STF: Flávio Dino é o atual relator da ação (ADPF) que obriga o Estado brasileiro a manter uma fiscalização contínua e eficiente contra o desmatamento e os incêndios na Amazônia — uma cobrança que ganhou força após a explosão de focos de incêndio em gestões anteriores.
Agora, governadores da região e a máquina federal correm contra o relógio para provar ao Supremo que o país está estruturalmente pronto para enfrentar um dos períodos mais secos da década.
Fonte: Agência Brasil
